Nunca fui muito conformado com as coisas.
Claro que ja levei isto a extremos, apenas pra exercitar o capricho de contrariar.
Antes mesmo de gostar de futebol eu dizia ser corinthiano, mas sem qualquer convicção (ou paixão, se preferirem).
E acreditem, virei palmeirense só porque todos colegas do pré-primário eram corinthianos (e claro porque naquela época o Corinthians ainda amargava a fila de mais de 20 anos sem títulos).
Não é que no ano seguinte veio o famoso título paulista e o Palmeiras foi quem amargou mais de 16 anos na fila.
Tudo bem, não tenho supertições e a paixão ficou.
Mas naquele ano de 1976 talvez eu tenha cometido o meu primeiro ato de rebeldia.
Não sei se ele poderia ser assim considerado porque foi inconsciente.
No dia de minha formatura da pré-escola, vestia uma beca bege.
Estava sentado com os demais formandos, todos perfilados no auditório (vejam só ... do Clube Corintians de Araçatuba!) aguardando a entrega do diploma, que seria realizada ... pelo Prefeito da Cidade!
Apesar de toda preparação para o evento, não havia como seguir um protocolo absolutamente rigoroso com dezenas de crianças presentes.
Mas fui muito além ...
Durante a cerimônia comecei a sentir contraçoes na bexiga.
Depois de alguns minutos resistindo, estava prestes a explodir.
Só que o constrangimento por deixar meu assento no meio da cerimônia foi maior.
E o pior aconteceu, acabei urinando ali mesmo, sentado na cadeira, no meio do auditório!
O unico registro deste feito era uma foto em preto e branco tirada no momento em que eu recebia o “canudo” do Excelentíssimo Prefeito ... com a roupa manchada de urina!
Não fosse pela vergonha de não ceder à fisiologia, teria sido um ato extremamente contestador!
Diria algum teórico: “já era um marxista na infância!”
E eu nem saberia disto (...)
CAETANO PROCOPIO
Total de visualizações de página
25 de fev. de 2008
13 de fev. de 2008
ECOS DA INFÂNCIA
Quando Elvis faleceu eu tinha 7 anos de idade.
Não conseguia compreender como ele poderia ter morrido, afinal, tratava-se apenas de um personagem da TV.
Não era de verdade!
Alguns meses depois, naquele mesmo ano de 1977, no dia de natal, Chaplin também partia.
A manchete no jornal da manhã seguinte, com uma foto do vagabundo, ilustrava: “Morre Carlitos”.
Havia acabado de concluir a primeira série primária e a leitura, por mais singela que fosse, ainda me parecia uma tarefa herculana, afinal, de insipiente tornei-me incipiente.
Consegui ler a notícia.
E novamente a indagação. Morreu? Mas ele não era de mentira?
Hoje, certamente qualquer criança de 7 anos debocharia da minha dúvida.
Porque a infância não é mais o tempo da ingenuidade.
Mas um curto ensaio pra apreendermos uma tristeza que nunca mais irá passar.
CAETANO PROCOPIO
Não conseguia compreender como ele poderia ter morrido, afinal, tratava-se apenas de um personagem da TV.
Não era de verdade!
Alguns meses depois, naquele mesmo ano de 1977, no dia de natal, Chaplin também partia.
A manchete no jornal da manhã seguinte, com uma foto do vagabundo, ilustrava: “Morre Carlitos”.
Havia acabado de concluir a primeira série primária e a leitura, por mais singela que fosse, ainda me parecia uma tarefa herculana, afinal, de insipiente tornei-me incipiente.
Consegui ler a notícia.
E novamente a indagação. Morreu? Mas ele não era de mentira?
Hoje, certamente qualquer criança de 7 anos debocharia da minha dúvida.
Porque a infância não é mais o tempo da ingenuidade.
Mas um curto ensaio pra apreendermos uma tristeza que nunca mais irá passar.
CAETANO PROCOPIO
7 de fev. de 2008
MENINOS DO FAROL
As crianças em São Paulo aprendem a fazer arte no farol para sobreviver.
São os malabaristas sem circo, sem palco, sem mico.
Os diretores são exigentes. Pai, mãe, avós ou qualquer pessoa que seja maior e mais forte pode dirigir o espetáculo.
Pés descalços, asfalto quente.
Diz a gente grande do carro: não dou dinheiro.
Fecha os vidros, buzina e acelera.
É um meio de vida no meio da vida.
Mas a cidade ainda parece ser de todos.
Até quando a tecnologia vai deixá-los ganhar centavos no farol?
Em uma cidade que a cada segundo, dez compras são efetuadas por meio de cartões de crédito ou débito.
Será que a substituição do dinheiro pelos cartões vai acabar com a mendicância? E os cartões dos palhaços sem talento de Brasília?
Os artistas do farol ainda sorriem com os teletubbies...
Na cidade dos 30 mil milionários, vamos continuar a discutir a ética inventada pelo homem.
Pois, não há mais como pescar. Porque os peixes estão nos congeladores. Comprados por centavos e vendidos com cartões.
E os meninos do farol, não tem rio, nem peixe, nem anzol...
VANDERSON PIRES
São os malabaristas sem circo, sem palco, sem mico.
Os diretores são exigentes. Pai, mãe, avós ou qualquer pessoa que seja maior e mais forte pode dirigir o espetáculo.
Pés descalços, asfalto quente.
Diz a gente grande do carro: não dou dinheiro.
Fecha os vidros, buzina e acelera.
É um meio de vida no meio da vida.
Mas a cidade ainda parece ser de todos.
Até quando a tecnologia vai deixá-los ganhar centavos no farol?
Em uma cidade que a cada segundo, dez compras são efetuadas por meio de cartões de crédito ou débito.
Será que a substituição do dinheiro pelos cartões vai acabar com a mendicância? E os cartões dos palhaços sem talento de Brasília?
Os artistas do farol ainda sorriem com os teletubbies...
Na cidade dos 30 mil milionários, vamos continuar a discutir a ética inventada pelo homem.
Pois, não há mais como pescar. Porque os peixes estão nos congeladores. Comprados por centavos e vendidos com cartões.
E os meninos do farol, não tem rio, nem peixe, nem anzol...
VANDERSON PIRES
12 de jan. de 2008
O ESPECTRO DA VIOLÊNCIA
O agravamento da violência é um fenômeno planetário. Aqui no Brasil atinge proporções assustadoras. Cidades como o Rio de Janeiro e S. Paulo, vivem um permanente estado de insegurança e medo. Nas duas metrópoles, mas principalmente na primeira, já existem áreas onde o poder público não mais consegue exercer o controle efetivo sobre as pessoas, sendo comandadas segundo leis do crime organizado. Esse poder paralelo imprime um domínio brutal sobre as sofridas populações locais.
Há uma ou duas décadas a violência era um problema quase que restrito aos grandes centros urbanos. Porém, hoje, mesmo as mais remotas localidades no interior do país são alvos de toda sorte de barbárie: assaltos, seqüestros, assassinatos e até atentados, como podemos assistir diariamente nos noticiários das TV(s).
Fora dos limites nacionais, em quase toda parte se presencia uma constante ameaça beligerante, agora mais difundida pela nova política dos “arautos da liberdade entre os povos”. Mesmo nos EUA, o perigo de atentados e ações amoucas rondam o território americano que parece ter se tornado muito mais exposto depois de 11 de setembro.
Esse fenômeno generalizado da violência deve ser observado sob inúmeros ângulos e não mais pode ser subestimado com soluções simplistas do tipo “tolerância zero”. Possui implicações muito mais complexas que demandam uma análise totalizante dos seus processos ensejadores associada às suas particularidades históricas. Pode-se supor que ele se intensificou consideravelmente depois de consolidada a hegemonia do “livre mercado mundial”. O enfraquecimento dos regimes baseados no Estado Social de Direito repercutiu muito mal no mundo globalizado, principalmente em países (como o Brasil) onde o Poder Público nunca conseguiu exercer um papel muito efetivo na construção da democracia.
Nos regimes liberais, o Estado, depois da 2ª grande guerra mas, fundamentalmente, após o desastre da economia capitalista na década de 30, passou a ter uma participação decisiva na vida econômica e social dos países democráticos. Funcionou como uma importante aresta para reduzir as desigualdades do sistema de mercado, entretanto, essa receita não mais consegue se ajustar aos novos caminhos trilhados pela globalização. Com efeito, é notório o sentimento de abandono e a falta de perspectivas daqueles que agora não mais podem contar com políticas públicas generosas e que antes lhes davam o alento de sonhar com a possibilidade de inclusão social que o modelo intervencionista nos moldes keynesianos pregava. O desamparo é ainda mais exacerbado aqui, nos limites do mundo dependente e pobre, com sociedades extremamente desiguais em que a miséria é um estopim cada vez mais curto para uma explosão de violência sem controle.
A cada dia se desfaz com extrema rapidez os laços que garantam uma convivência pacífica entre as pessoas. O espírito solidário está sendo soterrado por uma mistura letal de individualismo, ódio e revolta capaz de dissolver todos os vínculos humanos e lançar os homens na completa anomia.
A gravidade do momento inspira por uma reflexão de todos para definir os objetivos e o sentido da coexistência: quer-se um mundo justo com oportunidades iguais para todos, ou almeja-se a competição e o individualismo como regras indiscutíveis de conduta. A primeira abre um leque de enormes possibilidades ao gênero humano, a segunda poderá afundar a humanidade definitivamente num inferno tão absurdo que viver acabará se transformando uma tarefa impossível.
CAETANO PROCOPIO
Há uma ou duas décadas a violência era um problema quase que restrito aos grandes centros urbanos. Porém, hoje, mesmo as mais remotas localidades no interior do país são alvos de toda sorte de barbárie: assaltos, seqüestros, assassinatos e até atentados, como podemos assistir diariamente nos noticiários das TV(s).
Fora dos limites nacionais, em quase toda parte se presencia uma constante ameaça beligerante, agora mais difundida pela nova política dos “arautos da liberdade entre os povos”. Mesmo nos EUA, o perigo de atentados e ações amoucas rondam o território americano que parece ter se tornado muito mais exposto depois de 11 de setembro.
Esse fenômeno generalizado da violência deve ser observado sob inúmeros ângulos e não mais pode ser subestimado com soluções simplistas do tipo “tolerância zero”. Possui implicações muito mais complexas que demandam uma análise totalizante dos seus processos ensejadores associada às suas particularidades históricas. Pode-se supor que ele se intensificou consideravelmente depois de consolidada a hegemonia do “livre mercado mundial”. O enfraquecimento dos regimes baseados no Estado Social de Direito repercutiu muito mal no mundo globalizado, principalmente em países (como o Brasil) onde o Poder Público nunca conseguiu exercer um papel muito efetivo na construção da democracia.
Nos regimes liberais, o Estado, depois da 2ª grande guerra mas, fundamentalmente, após o desastre da economia capitalista na década de 30, passou a ter uma participação decisiva na vida econômica e social dos países democráticos. Funcionou como uma importante aresta para reduzir as desigualdades do sistema de mercado, entretanto, essa receita não mais consegue se ajustar aos novos caminhos trilhados pela globalização. Com efeito, é notório o sentimento de abandono e a falta de perspectivas daqueles que agora não mais podem contar com políticas públicas generosas e que antes lhes davam o alento de sonhar com a possibilidade de inclusão social que o modelo intervencionista nos moldes keynesianos pregava. O desamparo é ainda mais exacerbado aqui, nos limites do mundo dependente e pobre, com sociedades extremamente desiguais em que a miséria é um estopim cada vez mais curto para uma explosão de violência sem controle.
A cada dia se desfaz com extrema rapidez os laços que garantam uma convivência pacífica entre as pessoas. O espírito solidário está sendo soterrado por uma mistura letal de individualismo, ódio e revolta capaz de dissolver todos os vínculos humanos e lançar os homens na completa anomia.
A gravidade do momento inspira por uma reflexão de todos para definir os objetivos e o sentido da coexistência: quer-se um mundo justo com oportunidades iguais para todos, ou almeja-se a competição e o individualismo como regras indiscutíveis de conduta. A primeira abre um leque de enormes possibilidades ao gênero humano, a segunda poderá afundar a humanidade definitivamente num inferno tão absurdo que viver acabará se transformando uma tarefa impossível.
CAETANO PROCOPIO
28 de dez. de 2007
ESPERANDO GODOT
Samuel Beckett não via qualquer significado na existência humana. Viveu só e angustiado.
O silêncio e o isolamento foram alentos para quem não suportava a convivência inútil e sem sentido com o mundo. O racionalismo não universalizou o homem a ponto de dar-lhe as respostas que a metafísica jamais conseguiu. A humanidade não encontrou um norte definitivo com a razão analítica da ciência. A “civilização” ainda aguarda o sinal de uma revelação divina.
Beckett se foi em 1989, levando embora seu desespero. Ele, ao contrário de seus consortes, jamais se conformou com a espera por “Godot”. Escolheu a solidão para fugir da loucura dessa realidade absurda. De certo modo, não havia saída para alguém tão incrédulo na condição humana.
Essa reflexão sobre o pesadelo de Beckett me fez imaginar uma situação absolutamente insólita: suponhamos que subitamente “Godot” surgisse entre nós. Provavelmente ele se indignaria como Beckett e talvez lamentasse não ter vindo antes e permitido tanta insanidade. Ou quem sabe desistiria abandonando todos à sorte de suas mesquinhezas, já que a história não lhes possibilitou qualquer aprendizado.
A realidade não é algo cristalino diante de nossos olhos. Está escondida por trás de conceitos e idéias vazias que nos são apresentadas como sinônimos da verdade. Lembro no primário meus professores afirmarem que os povos antigos eram cruéis por se dedicarem essencialmente à guerra e à conquista de vastos impérios. Muito tempo depois pude perceber que os homens mataram mais na era civilizada do que em toda antigüidade.
Para este nosso mundo de faz de contas e de ilusões perdidas é possível que não reste outra alternativa senão continuar esperando “Godot”.
CAETANO PROCOPIO
O silêncio e o isolamento foram alentos para quem não suportava a convivência inútil e sem sentido com o mundo. O racionalismo não universalizou o homem a ponto de dar-lhe as respostas que a metafísica jamais conseguiu. A humanidade não encontrou um norte definitivo com a razão analítica da ciência. A “civilização” ainda aguarda o sinal de uma revelação divina.Beckett se foi em 1989, levando embora seu desespero. Ele, ao contrário de seus consortes, jamais se conformou com a espera por “Godot”. Escolheu a solidão para fugir da loucura dessa realidade absurda. De certo modo, não havia saída para alguém tão incrédulo na condição humana.
Essa reflexão sobre o pesadelo de Beckett me fez imaginar uma situação absolutamente insólita: suponhamos que subitamente “Godot” surgisse entre nós. Provavelmente ele se indignaria como Beckett e talvez lamentasse não ter vindo antes e permitido tanta insanidade. Ou quem sabe desistiria abandonando todos à sorte de suas mesquinhezas, já que a história não lhes possibilitou qualquer aprendizado.
A realidade não é algo cristalino diante de nossos olhos. Está escondida por trás de conceitos e idéias vazias que nos são apresentadas como sinônimos da verdade. Lembro no primário meus professores afirmarem que os povos antigos eram cruéis por se dedicarem essencialmente à guerra e à conquista de vastos impérios. Muito tempo depois pude perceber que os homens mataram mais na era civilizada do que em toda antigüidade.
Para este nosso mundo de faz de contas e de ilusões perdidas é possível que não reste outra alternativa senão continuar esperando “Godot”.
CAETANO PROCOPIO
22 de dez. de 2007
O SOCIALISMO MORREU? (II)
Não tenho dúvidas de que a resposta à pergunta acima é não! Mas antes de qualquer argumento sobre como efetivá-lo é preciso exorcizar certos fantasmas do passado. O fracasso da experiência estatizante, centradas principalmente nos modelos totalitários de estados, soviético e chinês, é algo a ser apreendido como uma dura lição.
O socialismo de forma alguma pode ser uma imposição. Antes de ele surgir é preciso que as pessoas estejam preparadas e dispostas a assumi-lo. Deve florescer no espírito de cada um. Ele exige uma postura menos individualista e mais coletiva. Uma nova concepção de mundo, generosa e preocupada com o destino comum. Seria ilusão acreditar nele hoje ou daqui algumas décadas. É imprescindível que todos o vejam como uma solução para as injustiças, talvez a única capaz de dar um destino legítimo aos homens.
Marx foi o primeiro estudioso que conseguiu não apenas imaginá-lo, mas prevê-lo como algo concreto, uma possibilidade real. Maior teórico da sociedade capitalista, ninguém a viu como ele. Ao mesmo tempo em que a dissecou profundamente, acabou por compreender o que veio antes dela. Compreendeu que as sociedades caminham conforme o desenvolvimento material de suas forças produtivas. Inverteu o conceito hegeliano de que são as idéias que transformam o mundo. É a materialidade quem cria as idéias. Aprimorou o conceito de ideologia. Suas previsões, em parte se mostraram equivocadas, mas seria exigir demais de alguém que viveu no século XIX, conseguir vislumbrar a complexidade das sociedades que o advieram. Para o filófoso Leandro Konder, Marx não tinha como prever o fenômeno da cultura de massas, que deu grande vigor ao capitalismo.
Sartre certa vez afirmou que as condições que engendraram o marxismo ainda não haviam sido superadas. Enquanto a sociedade capitalista existir ele permanecerá vivo. Mesmo os teóricos marxistas não se mostraram preparados para o marxismo, tanto que tentaram transformá-lo numa realidade a fórceps, exatamente o oposto ao que Marx preconizou. E deu no que deu. Apesar de parte do pensamento marxiano ter perecido em razão de não mais estar no seu tempo, as idéias dele permanecerão, por mais que não queiram os apologistas do mercado. Somente quando as enxergarmos não como um dogma, mas uma visão crítica do mundo burguês, uma perspectiva radical e profundamente transformadora das relações humanas, quem sabe consigamos vislumbrar avanços.
Marx foi o pensador mais influente de seu tempo, o século XIX. No século XX Sartre ocupou o lugar dele. Talvez os dois maiores observadores do homem contemporâneo. Um o viu coletivamente, o outro individualmente, mas não a ponto de se negarem, ao contrário, as impressões de Sartre ajudaram a completar o marxismo e o próprio conceito de socialismo.
Mais do que uma teoria, Marx ensejou a possibilidade da história dos homens ter um roteiro comum em que todos convirjam a um mesmo fim e que as diferenças individuais não sejam razão para se excluir os outros.
CAETANO PROCOPIO
14 de dez. de 2007
FUTURO
Quando penso no futuro, deixo de viver
E a vida passa... e os medos vencem.
Nesta hora sou o mais infeliz dos homens
E a fantasia me engana.
E vou muito além de mim, além do que sou
Quando tento imaginar o meu rosto no futuro,
Com marcas do passado, cabelos brancos, dificuldade de ereção...
Sofro sem saber o porquê.
Pois não estou lá, aqui estou!
Quero que o futuro seja passageiro como as estações do ano
Para sobrar algum tempo vivo...
Pensar no futuro é matar o tempo.
VANDERSON PIRES
E a vida passa... e os medos vencem.
Nesta hora sou o mais infeliz dos homens
E a fantasia me engana.
E vou muito além de mim, além do que sou
Quando tento imaginar o meu rosto no futuro,
Com marcas do passado, cabelos brancos, dificuldade de ereção...
Sofro sem saber o porquê.
Pois não estou lá, aqui estou!
Quero que o futuro seja passageiro como as estações do ano
Para sobrar algum tempo vivo...
Pensar no futuro é matar o tempo.
VANDERSON PIRES
13 de dez. de 2007
IMPASSE PERMANENTE
14 de maio de 1948. David Bem Gurion é proclamado primeiro-ministro de Israel. Imediatamente, os vizinhos árabes iniciam um conflito para impedir a constituição do Estado judeu. Israel sai vitorioso e ocupa militarmente territórios árabes na Palestina.
Desde a criação de Israel a região é marcada por um constante clima de tensão. Os palestinos reivindicam a parcela do território a que teriam direito conforme a decisão da ONU em 1947. Os israelenses se negam a dar autonomia política.
Os judeus consideram-se historicamente os legítimos habitantes da região há mais de 5 mil anos quando as primeiras tribos hebraicas lá chegaram vindas da Mesopotâmia em busca da “terra prometida”. Expulsos de sua terra pelos romanos no início da era cristã, somente no final do século XIX – com o movimento sionista – puderam retornar à Palestina.
Com a diáspora e o esfacelamento do império romano entraram em cena os árabes, que unificados pelo regime do califado, transformaram-se num dos povos mais importantes da idade média. A eles, é inegável a importância que representa a região para sua história e cultura.
Nas últimas 5 décadas, foram várias as tentativas de um acordo de paz, normalmente com a intermediação da Organização das Nações Unidas (ONU), sem, contudo, qualquer resultado prático. O grande entrave para a questão não esbarra em empecilhos culturais, históricos ou mesmo religiosos. O impasse está na dificuldade de se encontrar uma saída conciliatória que seja politicamente “viável” aos interesses de Estado. Portanto, o problema político perpassa qualquer outro óbice já que estamos tratando da criação de um Estado palestino cravado em território judeu.
Enquanto a discussão for tratada no âmbito das Nações e não no dos reais interesses dos povos envolvidos, a Palestina continuará sua sina de eterno palco de conflito.
CAETANO PROCOPIO
Desde a criação de Israel a região é marcada por um constante clima de tensão. Os palestinos reivindicam a parcela do território a que teriam direito conforme a decisão da ONU em 1947. Os israelenses se negam a dar autonomia política.
Os judeus consideram-se historicamente os legítimos habitantes da região há mais de 5 mil anos quando as primeiras tribos hebraicas lá chegaram vindas da Mesopotâmia em busca da “terra prometida”. Expulsos de sua terra pelos romanos no início da era cristã, somente no final do século XIX – com o movimento sionista – puderam retornar à Palestina.
Com a diáspora e o esfacelamento do império romano entraram em cena os árabes, que unificados pelo regime do califado, transformaram-se num dos povos mais importantes da idade média. A eles, é inegável a importância que representa a região para sua história e cultura.
Nas últimas 5 décadas, foram várias as tentativas de um acordo de paz, normalmente com a intermediação da Organização das Nações Unidas (ONU), sem, contudo, qualquer resultado prático. O grande entrave para a questão não esbarra em empecilhos culturais, históricos ou mesmo religiosos. O impasse está na dificuldade de se encontrar uma saída conciliatória que seja politicamente “viável” aos interesses de Estado. Portanto, o problema político perpassa qualquer outro óbice já que estamos tratando da criação de um Estado palestino cravado em território judeu.
Enquanto a discussão for tratada no âmbito das Nações e não no dos reais interesses dos povos envolvidos, a Palestina continuará sua sina de eterno palco de conflito.
CAETANO PROCOPIO
26 de nov. de 2007
UMA RECUSA AO CONFORMISMO
Caro amigo:
Não me entenda mal. Não vivo sob o signo do pessimismo, nem o tenho como conduta. Quando brinquei sobre o mau humor, quis apenas dizer que esse conceito muito em voga de viver e agir de forma "positiva" não passa de um apelo ao pragmatismo barato. Além disso, é uma maneira egoísta e mesquinha de pensar a realidade, como se apenas nossas pequenas misérias valessem ajuda. O mundo como está não cabe esse otimismo, ou você concebe uma felicidade somente a você e seus pares? Se for assim, desculpe-me meu caro, mas essa conversa não possui significado algum.
Entendo que devemos buscar um sentido para viver, entretanto, achar que a felicidade será encontrada só através do "autoconvencimento" e do "autoconhecimento", sem refletirmos sobre o que está a nossa volta é ilusão.No fim das contas ser otimista ou pessimista é a mesma coisa. Ambos vivem num universo irreal em que o grau de alienação irá determinar uma ou outra situação. Tanto um quanto outro podem mudar de lado a qualquer momento, estão ao sabor das circunstâncias sem, contudo, compreendê-las. A consciência do mundo não cabe eufemismos, vivemos em plena barbárie, porém, acreditamos estar no esplendor da civilização com nossa cultura “high-tec”. O otimismo receituado por esses oportunistas que prometem uma vida equilibrada e sadia é tão descabido como o discurso daqueles ecologistas que defendem a proteção do meio ambiente sem questionar a lógica destruidora da sociedade de consumo (ou que no máximo buscam mecanismos que disciplinem a volúpia consumista). Do que adianta bradar contra a poluição do ar ou das águas ou vociferar contra a destruição das matas e da vida selvagem quando a própria cultura "moderna" além de dizimar os recursos naturais, não sabe o que fazer com o lixo que produz. De certa forma, aceitar uma solução parcial e conciliatória para nossos problemas é dar razão a um individualismo odioso que nos ensina a buscar o sucesso pessoal a todo custo, sem que para isso nos atentemos para os lados e vejamos os miseráveis se amontoarem famintos defronte nossas portas. Portanto, aquilo que lhe falei nada tem a ver com baixo astral ou coisas do tipo, é só uma recusa ao conformismo.
Desculpe-me pela divagação e se roubei seu tempo!
Um abraço,
Do amigo.
CAETANO PROCOPIO
Não me entenda mal. Não vivo sob o signo do pessimismo, nem o tenho como conduta. Quando brinquei sobre o mau humor, quis apenas dizer que esse conceito muito em voga de viver e agir de forma "positiva" não passa de um apelo ao pragmatismo barato. Além disso, é uma maneira egoísta e mesquinha de pensar a realidade, como se apenas nossas pequenas misérias valessem ajuda. O mundo como está não cabe esse otimismo, ou você concebe uma felicidade somente a você e seus pares? Se for assim, desculpe-me meu caro, mas essa conversa não possui significado algum.
Entendo que devemos buscar um sentido para viver, entretanto, achar que a felicidade será encontrada só através do "autoconvencimento" e do "autoconhecimento", sem refletirmos sobre o que está a nossa volta é ilusão.No fim das contas ser otimista ou pessimista é a mesma coisa. Ambos vivem num universo irreal em que o grau de alienação irá determinar uma ou outra situação. Tanto um quanto outro podem mudar de lado a qualquer momento, estão ao sabor das circunstâncias sem, contudo, compreendê-las. A consciência do mundo não cabe eufemismos, vivemos em plena barbárie, porém, acreditamos estar no esplendor da civilização com nossa cultura “high-tec”. O otimismo receituado por esses oportunistas que prometem uma vida equilibrada e sadia é tão descabido como o discurso daqueles ecologistas que defendem a proteção do meio ambiente sem questionar a lógica destruidora da sociedade de consumo (ou que no máximo buscam mecanismos que disciplinem a volúpia consumista). Do que adianta bradar contra a poluição do ar ou das águas ou vociferar contra a destruição das matas e da vida selvagem quando a própria cultura "moderna" além de dizimar os recursos naturais, não sabe o que fazer com o lixo que produz. De certa forma, aceitar uma solução parcial e conciliatória para nossos problemas é dar razão a um individualismo odioso que nos ensina a buscar o sucesso pessoal a todo custo, sem que para isso nos atentemos para os lados e vejamos os miseráveis se amontoarem famintos defronte nossas portas. Portanto, aquilo que lhe falei nada tem a ver com baixo astral ou coisas do tipo, é só uma recusa ao conformismo.
Desculpe-me pela divagação e se roubei seu tempo!
Um abraço,
Do amigo.
CAETANO PROCOPIO
22 de nov. de 2007
MORTE
Existe uma ponte. Ela é o caminho que devemos cruzar. O outro lado da
vida: a morte. A responsável pela criação de Deus e seus semelhantes.
Histórias, desejos de eternidade, espíritos e o medo de morrer...
O apego é a bola de fogo que não queremos nunca largar.
Mas o amor, o verdadeiro amor, existe para livrar-nos do peso da perda, do egoísmo existencialista que carregamos sem parar para questionar.
Eu não deixo de amar alguém porque ela não está perto de mim.
E procuro entender a grande ida sem volta. Quando o corpo é coberto por terra e a vontade de chorar for mais forte, o amor tem que falar ao coração: "entenda a natureza porque você faz parte dela". E o que é natural carrega o bem e o mal no mesmo cerne.
Somos visitantes em uma rápida excursão pelo mundo. Apenas isso.
Sinto saudade dos que foram. Mas eu os amo da mesma forma.
Tento compreender o caminho...
E peço forças para o amor, para que ele alivie as minhas dores e as do mundo.
VÂNDERSON PIRES
vida: a morte. A responsável pela criação de Deus e seus semelhantes.
Histórias, desejos de eternidade, espíritos e o medo de morrer...
O apego é a bola de fogo que não queremos nunca largar.
Mas o amor, o verdadeiro amor, existe para livrar-nos do peso da perda, do egoísmo existencialista que carregamos sem parar para questionar.
Eu não deixo de amar alguém porque ela não está perto de mim.
E procuro entender a grande ida sem volta. Quando o corpo é coberto por terra e a vontade de chorar for mais forte, o amor tem que falar ao coração: "entenda a natureza porque você faz parte dela". E o que é natural carrega o bem e o mal no mesmo cerne.
Somos visitantes em uma rápida excursão pelo mundo. Apenas isso.
Sinto saudade dos que foram. Mas eu os amo da mesma forma.
Tento compreender o caminho...
E peço forças para o amor, para que ele alivie as minhas dores e as do mundo.
VÂNDERSON PIRES
20 de nov. de 2007
O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Certa vez, quando ainda cursava a faculdade de Direito na década de 1990, um professor afirmou que não mais havia discriminação contra as mulheres, como ocorrera no passado. A legislação já as equiparavam aos homens.
Se de fato fosse verdade, as mulheres não precisariam da lei para declará-las iguais, nem mesmo de um dia específico pra celebrá-las. A condição de mulher, por si só, seria uma afirmação.
A norma retrata uma realidade contrária. A discriminação existe e a lei não se mostra capaz de dissuadí-la porque ainda faz parte do pensamento comum.
Da mesma forma, se necessária uma data para institucionalizar o dia da consciência negra, ela não existe de fato. Há sim, vários “rascismos” dissimulados numa sociedade extremamente dividida e desigual.
20 de novembro precisa ser muito mais que uma mera data comemorativa no calendário para se transformar numa luta diária contra todas as formas de discriminação.
CAETANO PROCOPIO
Se de fato fosse verdade, as mulheres não precisariam da lei para declará-las iguais, nem mesmo de um dia específico pra celebrá-las. A condição de mulher, por si só, seria uma afirmação.
A norma retrata uma realidade contrária. A discriminação existe e a lei não se mostra capaz de dissuadí-la porque ainda faz parte do pensamento comum.
Da mesma forma, se necessária uma data para institucionalizar o dia da consciência negra, ela não existe de fato. Há sim, vários “rascismos” dissimulados numa sociedade extremamente dividida e desigual.
20 de novembro precisa ser muito mais que uma mera data comemorativa no calendário para se transformar numa luta diária contra todas as formas de discriminação.
CAETANO PROCOPIO
14 de nov. de 2007
O ANDARILHO MUITO LOUCO
(por IRAN MARCIUS)
E de repente, como se o mundo todo o chamasse ao mesmo tempo, ele se
levanta, com os olhos esbugalhados, emitindo sons estridentes e
confusos, agitando todos à sua volta, sem descanso, sem clemência. E
sua agitação contagia e alegra a todos.
Ele vê, mais uma vez, que o mundo como é não lhe agrada os olhos... e
nem o paladar. Ele então se envolve na neblina, trazendo à memória
todos os ancestrais, todas as experiências, e dessa maneira o mundo
fica com a forma e com o sabor que ele deseja. E seus sentidos se
aguçam, cada célula de seu corpo é tomada pela calma desesperadora, e
nesse estado, e nunca sem pressa, ele se põe a... ANDAR.
A caminhada pode ser longa, ou curta, independente de onde se quer
chegar. O que importa é o processo, o vento no rosto, o som das vozes,
as formas. O mesmo caminho pode levar a vários lugares, ou ao ponto de
partida. Caminhos diferentes podem levar ao mesmo lugar... ou a lugar
algum... ou ao ponto de partida.
Mas ele tem a selva estampada em seu rosto. Vê cada clareira, cada
rio, cada animal que se movimenta. Ele tem a selva na palma da sua
mão, mas não se importa... porque só olha para as costas dela.
E ele anda, enlouquecido e ao mesmo tempo entorpecido, com passos
firmes de quem tem um objetivo muito claro... mas sem a menor idéia de
como vai chegar lá.
Minha homenagem, ainda que pequena, ao amigo, ao irmão, de hoje e
sempre. É isso aí, indião!!!
E de repente, como se o mundo todo o chamasse ao mesmo tempo, ele se
levanta, com os olhos esbugalhados, emitindo sons estridentes e
confusos, agitando todos à sua volta, sem descanso, sem clemência. E
sua agitação contagia e alegra a todos.
Ele vê, mais uma vez, que o mundo como é não lhe agrada os olhos... e
nem o paladar. Ele então se envolve na neblina, trazendo à memória
todos os ancestrais, todas as experiências, e dessa maneira o mundo
fica com a forma e com o sabor que ele deseja. E seus sentidos se
aguçam, cada célula de seu corpo é tomada pela calma desesperadora, e
nesse estado, e nunca sem pressa, ele se põe a... ANDAR.
A caminhada pode ser longa, ou curta, independente de onde se quer
chegar. O que importa é o processo, o vento no rosto, o som das vozes,
as formas. O mesmo caminho pode levar a vários lugares, ou ao ponto de
partida. Caminhos diferentes podem levar ao mesmo lugar... ou a lugar
algum... ou ao ponto de partida.
Mas ele tem a selva estampada em seu rosto. Vê cada clareira, cada
rio, cada animal que se movimenta. Ele tem a selva na palma da sua
mão, mas não se importa... porque só olha para as costas dela.
E ele anda, enlouquecido e ao mesmo tempo entorpecido, com passos
firmes de quem tem um objetivo muito claro... mas sem a menor idéia de
como vai chegar lá.
Minha homenagem, ainda que pequena, ao amigo, ao irmão, de hoje e
sempre. É isso aí, indião!!!
4 de nov. de 2007
O LEVIATÃ
Hobbes define a essência humana como sendo uma condição brutal em que os homens, levados por instintos individuais, cultivam a beligerância contra os outros. A defesa de suas paixões mais viscerais é um conflito perene que estabelece uma relação de rivalidade com os demais. Somente a presença onipotente de um poder despóstico que suprima esse estado original seria suficiente para corrigir o caráter hostil desse “homem natural’.
Rousseau atacou duramente a função totalitária do pensamento hobbesiano, definindo uma razão mais generosa ao espírito humano. Mas a vida em comum ressalta algumas diferenças imanentes entre as pessoas, que podem perverter a sua “natureza benigna’. Ao contrário de Hobbes, acreditava no contrato social como forma de legitimar um sistema político baseado na igualdade civil.
Hobbes justificou o absolutismo inglês dos idos de 1600. Rousseau foi um apóstolo dos ideais democráticos que tão marcadamente caracterizaram a concepção do mundo burguês após o século XVIII. A preocupação em definir uma ética condizente com a ação política é um exercício que sempre fascinou a tradição filosófica.
Não há como predefinirmos o homem em categorias estanques (“bom” ou “mau”), pois, ele é um ser em permanente mutação e o sentido dos seus atos depende das escolhas que faz a todo instante. No momento, parece que o contrato social está a beira da falência, moribundo. Impossível suprimirmos nossas diferenças sem que tenhamos que demolir por inteiro as bases em que se assentam a sociedade civil. Mas antes do seu fim, nos deixa um legado sórdido que surge de suas entranhas como um leviatã poderoso e incontrolável. Esse monstro que nos apavora se realimenta da própria fúria, num processo cíclico de recriação. Quanto mais nos barbarizamos mais nos desumanizamos nos transformando em seres individualizados e vazios.
O contrato social degenerou-se num leviatã muito mais tenebroso do que aquele definido por Hobbes, mostrando-se inviável numa realidade em que a igualdade jurídica não passa de retórica. Em um mundo permanentemente desigual, as diferenças tendem alimentar uma resistência ao argumento de que a democracia nos assegura um destino comum. Necessitamos recriar nossa essência através de uma ética universal, solidária. Um caminho em que enfim aceitemos nossa condição de cumplicidade com os outros.
CAETANO PROCOPIO
Rousseau atacou duramente a função totalitária do pensamento hobbesiano, definindo uma razão mais generosa ao espírito humano. Mas a vida em comum ressalta algumas diferenças imanentes entre as pessoas, que podem perverter a sua “natureza benigna’. Ao contrário de Hobbes, acreditava no contrato social como forma de legitimar um sistema político baseado na igualdade civil.Hobbes justificou o absolutismo inglês dos idos de 1600. Rousseau foi um apóstolo dos ideais democráticos que tão marcadamente caracterizaram a concepção do mundo burguês após o século XVIII. A preocupação em definir uma ética condizente com a ação política é um exercício que sempre fascinou a tradição filosófica.
Não há como predefinirmos o homem em categorias estanques (“bom” ou “mau”), pois, ele é um ser em permanente mutação e o sentido dos seus atos depende das escolhas que faz a todo instante. No momento, parece que o contrato social está a beira da falência, moribundo. Impossível suprimirmos nossas diferenças sem que tenhamos que demolir por inteiro as bases em que se assentam a sociedade civil. Mas antes do seu fim, nos deixa um legado sórdido que surge de suas entranhas como um leviatã poderoso e incontrolável. Esse monstro que nos apavora se realimenta da própria fúria, num processo cíclico de recriação. Quanto mais nos barbarizamos mais nos desumanizamos nos transformando em seres individualizados e vazios.
O contrato social degenerou-se num leviatã muito mais tenebroso do que aquele definido por Hobbes, mostrando-se inviável numa realidade em que a igualdade jurídica não passa de retórica. Em um mundo permanentemente desigual, as diferenças tendem alimentar uma resistência ao argumento de que a democracia nos assegura um destino comum. Necessitamos recriar nossa essência através de uma ética universal, solidária. Um caminho em que enfim aceitemos nossa condição de cumplicidade com os outros.
CAETANO PROCOPIO
30 de out. de 2007
AMOR DE PELE E OSSO
Quando eu estiver morto
E no meu velório alguém perguntar
Por que estou sorrindo,
Saibas que é por ti.
Se a minha felicidade for questionada
Não acharão outra resposta que não seja você
Caso eu morra desfigurado
E pairar alguma dúvida sobre a minha identidade
Peça para que vejam minha pele
Lá está seu nome tatuado
Mas, se não sobrar nenhuma pele no meu corpo
Diga-lhes para olharem meus ossos.
Porque está gravado o teu nome em todos eles.
O amor é a minha busca. E a minha felicidade é você.
Se estou triste, eu te amo.
Se estou feliz, eu te amo.
Teu sorriso me faz vencer. Teu corpo é a minha oração.
O meu desejo por ti é tão fisiológico como a fome.
Porque ele nunca tem fim.
Fico ansioso pelo dia, porque te vejo.
Fico ansioso pela noite, porque sonho com você.
Sou teu filhote, és minha sorte
Meu bem querer...
VANDERSON PIRES
E no meu velório alguém perguntar
Por que estou sorrindo,
Saibas que é por ti.
Se a minha felicidade for questionada
Não acharão outra resposta que não seja você
Caso eu morra desfigurado
E pairar alguma dúvida sobre a minha identidade
Peça para que vejam minha pele
Lá está seu nome tatuado
Mas, se não sobrar nenhuma pele no meu corpo
Diga-lhes para olharem meus ossos.
Porque está gravado o teu nome em todos eles.
O amor é a minha busca. E a minha felicidade é você.
Se estou triste, eu te amo.
Se estou feliz, eu te amo.
Teu sorriso me faz vencer. Teu corpo é a minha oração.
O meu desejo por ti é tão fisiológico como a fome.
Porque ele nunca tem fim.
Fico ansioso pelo dia, porque te vejo.
Fico ansioso pela noite, porque sonho com você.
Sou teu filhote, és minha sorte
Meu bem querer...
VANDERSON PIRES
29 de out. de 2007
O LIVRO DA VIDA
No dia 26 de outubro do ano de 2007 d.C. eu pude ver mais clara a imagem do fim, ou de um outro começo, não sei...
Eram 28 anos completos.
E a cada ano que se vai, a cada hora que passa, é mais um passo para chegar a grande conclusão da vida...
Algumas pessoas se lembraram desta data. Uma data que, na verdade, só tem importância para mim, pois só eu sou capaz de entender a quantidade de páginas que possui o meu livro, a minha história, a minha vida...
E a cada página virada, umas bem compreendidas, outras um pouco confusas, eu busco as respostas de um leitor curioso e às vezes ansioso para saber qual será o final. Mas não há como ler as últimas páginas. Porque neste livro o autor ainda não sabe onde sua história vai parar. Pode ser daqui a duas páginas, duas linhas, duas palavras...
Esta é a grande graça de ler. O inesperado, o que estar por vir.
E eu tento ler a minha vida a cada ano completado. Vejo as relações que ficaram mais fortes, as que eu achei que nunca iriam enfraquecer e hoje as vejo morrendo, escapando como água por entre meus dedos.
Sinto algumas alegrias, algumas tristezas... E isso faz da minha consciência um grande acúmulo de parágrafos grifados.
Vejo as coisas que mudam e as que permanecem sempre iguais, do mesmo jeito.
Meu coração tem acumulado alguma poeira, afinal, estou falando de um livro de 1979, que pode ser velho para uns, novo para outros... Mas com uma verdade: o tempo nunca é o mesmo para cada um.
E hoje eu já tomo mais cuidado com o meu livro em relação ao passado.
Eu já o emprestei, joguei de lado algumas vezes... Pensei em vendê-lo, queimá-lo... Já parei a leitura por tédio, decepção, desinteresse...
Mas hoje essa história tem toda a minha atenção. E em casa, na minha solidão, sou capaz de rir de muita coisa. Vejo que o tempo, o grande narrador da história, me ensinou a gostar de rir. Rir de mim, dos outros... Rir, sem dúvida, faz da história algo mais leve, mais interessante.
E seja lá qual for o final, a única coisa que realmente importa é o prazer da leitura, o simples prazer de ler...
VANDERSON PIRES
Eram 28 anos completos.
E a cada ano que se vai, a cada hora que passa, é mais um passo para chegar a grande conclusão da vida...
Algumas pessoas se lembraram desta data. Uma data que, na verdade, só tem importância para mim, pois só eu sou capaz de entender a quantidade de páginas que possui o meu livro, a minha história, a minha vida...
E a cada página virada, umas bem compreendidas, outras um pouco confusas, eu busco as respostas de um leitor curioso e às vezes ansioso para saber qual será o final. Mas não há como ler as últimas páginas. Porque neste livro o autor ainda não sabe onde sua história vai parar. Pode ser daqui a duas páginas, duas linhas, duas palavras...
Esta é a grande graça de ler. O inesperado, o que estar por vir.
E eu tento ler a minha vida a cada ano completado. Vejo as relações que ficaram mais fortes, as que eu achei que nunca iriam enfraquecer e hoje as vejo morrendo, escapando como água por entre meus dedos.
Sinto algumas alegrias, algumas tristezas... E isso faz da minha consciência um grande acúmulo de parágrafos grifados.
Vejo as coisas que mudam e as que permanecem sempre iguais, do mesmo jeito.
Meu coração tem acumulado alguma poeira, afinal, estou falando de um livro de 1979, que pode ser velho para uns, novo para outros... Mas com uma verdade: o tempo nunca é o mesmo para cada um.
E hoje eu já tomo mais cuidado com o meu livro em relação ao passado.
Eu já o emprestei, joguei de lado algumas vezes... Pensei em vendê-lo, queimá-lo... Já parei a leitura por tédio, decepção, desinteresse...
Mas hoje essa história tem toda a minha atenção. E em casa, na minha solidão, sou capaz de rir de muita coisa. Vejo que o tempo, o grande narrador da história, me ensinou a gostar de rir. Rir de mim, dos outros... Rir, sem dúvida, faz da história algo mais leve, mais interessante.
E seja lá qual for o final, a única coisa que realmente importa é o prazer da leitura, o simples prazer de ler...
VANDERSON PIRES
25 de out. de 2007
A ESPERANÇA? JÁ MORREU!
Recentemente tentei realizar uma chamada num orelhão. Duas tentativas e a ligação não foi completada. Dois créditos foram subtraídos do meu cartão! Pra quem reclamar? Anatel? Procon? Justiça? Não tenho receio de afirmar que nenhuma destas instituições me geram confiança. O Brasil é um lugar onde a esperteza serve de exaltação da inteligência e a malandragem faz parte de nosso caráter. A astúcia está em toda parte, desde o grande ladrão que assola cofres públicos ao andarilho sequioso por uma “birita” mas que suplica dinheiro pra comprar um pingado.
Estou cansado de tanta dissimulação, de ter que ouvir venais petistas e pessedebistas tentando convencer a todos de que são diferentes. Ah! E o PFL que virou DEMOCRATAS! Chega! Há limites até para ser enganado. Essa gente está debochando da minha inteligência!
O Brasil sempre foi decantado como um lugar maravilhoso, de potencial inigualável. E apesar dos pesares, ainda vívido da esperança de que um dia tudo irá melhorar. Ilusão! Aqui tudo se resolve no “jeitinho”. Até o Supremo Tribunal Federal, pra dar um “jeitinho” na reforma da previdência do governo Lula, resolveu revogar o direito adquirido. No Brasil ele é apenas relativo.
O velho ditado diz que a esperança é a última que morre. Pra mim ela já está sepultada (...)
CAETANO PROCOPIO
Estou cansado de tanta dissimulação, de ter que ouvir venais petistas e pessedebistas tentando convencer a todos de que são diferentes. Ah! E o PFL que virou DEMOCRATAS! Chega! Há limites até para ser enganado. Essa gente está debochando da minha inteligência!
O Brasil sempre foi decantado como um lugar maravilhoso, de potencial inigualável. E apesar dos pesares, ainda vívido da esperança de que um dia tudo irá melhorar. Ilusão! Aqui tudo se resolve no “jeitinho”. Até o Supremo Tribunal Federal, pra dar um “jeitinho” na reforma da previdência do governo Lula, resolveu revogar o direito adquirido. No Brasil ele é apenas relativo.
O velho ditado diz que a esperança é a última que morre. Pra mim ela já está sepultada (...)
CAETANO PROCOPIO
17 de out. de 2007
HEROIS DA LIBERDADE

"Heróis da Liberdade" concorre em categoria para novos diretores da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Sátira política de Amberg estréia na sexta (19), no Arteplex 4
Segundo longa do catarinense Luca Amberg, "Heróis da Liberdade" estréia nas telonas durante a 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que agita a capital paulista a partir desta semana. É a oportunidade para o público acompanhar a saga de Chico Louco e companhia antes da produção entrar em cartaz no circuito comercial.
Selecionado para a categoria competitiva "Novos Diretores", o filme será exibido em três sessões: a primeira, no dia 19 (sexta), às 23 h, no Unibanco Arteplex 4; e, as outras, nos dias 23 (terça), às 17h, no Espaço Unibanco 3, e 30 (terça), às 20h20, na Sala Cinemateca / Petrobrás.
Inspirada no livro homônimo de Ernani Buchmann, que também assina o roteiro, a produção aposta na sátira política. A trama gira em torno da morte do prefeito tradicionalista Fernandes Cubas, o "João Come Terra", (Luthero de Almeida), que sofre um ataque no palanque durante campanha para mais uma reeleição. Suas últimas palavras ("inconstitucional é a puta que o pariu!") refletem o tom tragicômico que o diretor imprime em "Heróis", trazendo à tona a banalização de valores como ética, democracia e dignidade. Prepare-se para altas doses de ousadia, acidez e humor. "É uma sátira sob um ponto de vista antropológico. O objetivo não é apontar o dedo pra ninguém, mas motivar reflexões sobre a gira da política desde sempre", explica Amberg.
A história se desenrola sob a ótica de Chico Louco, um dos moradores da cidadezinha. Astrônomo metafísico frustrado, na voz sarcástica de Paulo César Peréio, é ele quem narra as intrigas, conspirações e barganhas envolvendo quase toda a cidade: da funcionária pública e organizadora de orgias na Câmara; passando pelo proprietário de cinema, que aceita organizar uma luta de boxe arranjada para não perder o alvará; ao bispo local, que não titubeia em revelar segredos de confessionário ao aliado político. Todos os episódios têm como pano de fundo a briga pela sucessão.
Recém-saído do forno, o filme será exibido em versão DVCAM. A produção ainda busca garantir recursos para o processo de transferência para 35mm. A expectativa é que a boa receptividade do público da Mostra possa atrair investidores. "Dirijo filmes pensando no expectador. Fiz algumas exibições fechadas e, quem viu, gostou", afirma Amberg.
O elenco é heterogêneo, formado exclusivamente por atores do teatro paranaense. Dos veteranos, o público terá a oportunidade de conferir atuações afinadas de nomes como Mario Schoenberger, Zeca Cenovic, Luthero de Almeida, Enéas Lour, Mauro Zanatta e Emilio Pitta. Destaque para as participações especiais do Grupo Armazém de Teatro, do ex-BBB Zulu, na pele do lutador Nego Mau, e de Mario Bortolotto, autor do blues tocado no Valentino Bar.
Para os fãs do underground, a trilha, da gravadora independente (GGG) Grande Garagem que Grava, traz o melhor da cena musical curitibana. Muito rock´billy, surf music, hardcore e indie de bandas como Maremotos, Gengivas Negras, Pelebrói, Mordida e Gruvox.
"Heróis" na Mostra
75min. Português. Legendas em inglês.
19/10 – Unibanco Arteplex 4 – 23h
R. Frei Caneca, 569 - 3ºpiso, sala 2
(11) 3472-2365 - www.unibancoarteplex.com.br
23/10 – Espaço Unibanco 3 – 17h
R. Augusta, 1.470/1475
(11) 3288-6780
30/10 – Sala Cinemateca / Petrobrás – 20h20
Lgo. Senador Raul Cardoso, 207
(11) 35126101 - www.cinemateca.com.br
Ficha técnica:
Heróis da Liberdade(2007, 75min, 35mm)- inspirado no livro homônimo de Ernani Buchmann
Luca Amberg (direção); Ernani Buchmann e Luca Amberg (produção); Luca Amberg, Ernani Buchmann e Moyses Doroso (roteiro).
Elenco: Mario Schoenberger, Zeca Cenovic, Luthero de Almeida, Paulo César Peréio, Enéas Lour, Emilio Pitta, Mauro Zanatta, João Luis Fiani, Carlos Daitchmann, Patrícia Selonk, Paulo Morais, Michelle Pucci, Gabriel Gorozzitto, Paulo Friebe, Chico Terra, Poka Marques, Marino Junior, Altamar César, Claudete Pereira Jorge, Fernanda Coelho, José Maria Pereira, Zulu, Macaris do Livramento, Cristine Vianna, Mário Bortolotto, Paulo Castro e Grupo Armazém de Teatro.
VANDERSON PIRES
WILSON AZUMA
13 de out. de 2007
O ULTIMO REI DA ESCÓCIA
Em “O último Rei da Escócia”, Forest Whitaker interpreta Idi Amin Dada.
Apesar da excelente atuação do ator norte-americano, a narrativa centra-se na personalidade extravagante do ditador ugandense não se atendo aos aspectos históricos que envolveram os acontecimentos.O filme acaba por mitigar o papel decisivo da Inglaterra na condução de Amin ao poder, fortalecendo a “caricaturização” do personagem.
A história termina com a queda do tirano levando “multidões jubilantes” às ruas, mas sem mencionar que a deposição possibilitou o retorno ao poder de Milton Obote, anteriormente destituído por Amin.
Se num primeiro momento a expressão nos rostos das pessoas era de júbilo, não tardaria para que os semblantes cerrassem-se novamente e Uganda outra vez mergulhasse na violência, nos assassinatos e numa nova ditadura.
Amin, longe de ser apenas um louco carniceiro, foi a perpetuação de uma trágica história africana que sempre parece se repetir.
CAETANO PROCOPIO
27 de set. de 2007
CAVALOS
I
Deitada sobre mim, ela escondia sua intenção.
Julgou ser capaz de me aprisionar, com um simples olhar sem nenhuma razão.
E eu, ligeiramente ingênuo, deixei acreditar. Que toda a voz proferida pudesse voltar
ao lugar da partida. Onde a morada nem sempre é vazia. Onde a busca quer me tomar.
Sacudi os flancos. Espirrei os farrapos e corri a olhar pela vastidão de um lindo campo. Busquei meu cavalo e me tornei um herói.
Quando cheguei naquele lugar, era como um deus. Cabelos longos, barbudo montado em um cavalo. Uma visão que os olhos não viam. Eu era a profecia assustadora e galopante.
E também quis provar que em determinado momento da cavalgada, meu cavalo voava. Ele tirava as quatro patas do chão. E ela tentou ver isso. Mas não conseguiu. Porque sua visão era limitada e lenta demais.
E eu disse: "Se um cego pudesse escolher entre a sua visão e a sabedoria dos passos lentos e precisos na escuridão, a resposta seria a cegueira".
Contudo eu não me fiz compreender. E busquei esperar o sol. Parado, respirando tranquilamente, eu fustigava seu ser. Lentamente...
Seu nome era solidão. A viúva que nunca amou.
II
Passado um tempo, logo após o nosso desencontro, eis que o mundo ficou diferente.
Já não era mais possível fingir que estava tudo bem. A depressão, a ansiedade e a angústia eram, agora, aliadas da solidão. As pessoas não deixaram de sorrir por isso. Mas era só um ato de exposição da arcada dentária, assim como os cavalos mostram seus dentes... E eu amava mais os cavalos que aquelas pessoas. E elas também nunca quiseram amar. Só queriam ganhar. Assim como os cavalos nas corridas. E o cheiro do estábulo era melhor que o aroma dos frascos de perfumes famosos. Eu não uso perfume. Como os cavalos.
Eles quiseram ser fortes como os cavalos e correr na mesma velocidade. E criaram os motores com seus cavalos industriais e mecânicos. E transformaram-no em símbolo de poder e status. E todos sonham em ter mais de mil cavalos.
E esse sonho criou guerras, matou pessoas e fez a terra jorrar o sangue negro para os vampiros. E eu apenas queria andar tranquilamente como um cavalo sem senhor, sem dono e sem patrão.
Na época dos cavalos não existia poluição. Não existiam mortes no trânsito e nem o som irritante das buzinas.
Quando os cavalos eram amigos, o homem era natural. Hoje os cavalos perderam a força. E o homem, a naturalidade...
VANDERSON PIRES
Deitada sobre mim, ela escondia sua intenção.
Julgou ser capaz de me aprisionar, com um simples olhar sem nenhuma razão.
E eu, ligeiramente ingênuo, deixei acreditar. Que toda a voz proferida pudesse voltar
ao lugar da partida. Onde a morada nem sempre é vazia. Onde a busca quer me tomar.
Sacudi os flancos. Espirrei os farrapos e corri a olhar pela vastidão de um lindo campo. Busquei meu cavalo e me tornei um herói.
Quando cheguei naquele lugar, era como um deus. Cabelos longos, barbudo montado em um cavalo. Uma visão que os olhos não viam. Eu era a profecia assustadora e galopante.
E também quis provar que em determinado momento da cavalgada, meu cavalo voava. Ele tirava as quatro patas do chão. E ela tentou ver isso. Mas não conseguiu. Porque sua visão era limitada e lenta demais.
E eu disse: "Se um cego pudesse escolher entre a sua visão e a sabedoria dos passos lentos e precisos na escuridão, a resposta seria a cegueira".
Contudo eu não me fiz compreender. E busquei esperar o sol. Parado, respirando tranquilamente, eu fustigava seu ser. Lentamente...
Seu nome era solidão. A viúva que nunca amou.
II
Passado um tempo, logo após o nosso desencontro, eis que o mundo ficou diferente.
Já não era mais possível fingir que estava tudo bem. A depressão, a ansiedade e a angústia eram, agora, aliadas da solidão. As pessoas não deixaram de sorrir por isso. Mas era só um ato de exposição da arcada dentária, assim como os cavalos mostram seus dentes... E eu amava mais os cavalos que aquelas pessoas. E elas também nunca quiseram amar. Só queriam ganhar. Assim como os cavalos nas corridas. E o cheiro do estábulo era melhor que o aroma dos frascos de perfumes famosos. Eu não uso perfume. Como os cavalos.
Eles quiseram ser fortes como os cavalos e correr na mesma velocidade. E criaram os motores com seus cavalos industriais e mecânicos. E transformaram-no em símbolo de poder e status. E todos sonham em ter mais de mil cavalos.
E esse sonho criou guerras, matou pessoas e fez a terra jorrar o sangue negro para os vampiros. E eu apenas queria andar tranquilamente como um cavalo sem senhor, sem dono e sem patrão.
Na época dos cavalos não existia poluição. Não existiam mortes no trânsito e nem o som irritante das buzinas.
Quando os cavalos eram amigos, o homem era natural. Hoje os cavalos perderam a força. E o homem, a naturalidade...
VANDERSON PIRES
18 de set. de 2007
O SOCIALISMO MORREU?
"O marxismo está muito jovem, quase na infância: mal começou a se desenvolver. Ele permanece, pois a filosofia do nosso tempo é insuperável, porque as circunstâncias que o engendram não foram superadas." (J. P. Sartre)
Em novembro de 1917 (outubro no calendário russo) nascia o primeiro estado socialista da história. Oito décadas mais tarde, o socialismo ruiu com a dissolução da União Soviética. Surgem aí algumas especulações. Marx falhou? O socialismo não passa de uma utopia? Chegamos ao final da história?
Se pensarmos o movimento revolucionário dos trabalhadores levando em conta apenas os seus resultados práticos, as respostas serão afirmativas. Mas estas conclusões seriam simplistas demais. Primeiro é preciso compreender que a experiência socialista no Século XX acabou sendo fruto de sérias distorções da obra de Marx.
A complexidade da teoria marxiana foi convertida, por grande parte de seus intérpretes, numa doutrina fechada. Ao contrário, ela deve ser vista como uma crítica da sociedade burguesa. Do modo como aconteceu, o legado de Marx acabou aprisionado por uma camisa de força que o transformou em um dogma inquestionável, principalmente quando consideramos o papel desempenhado pelas II e III internacionais. O marxismo é uma receita que necessita de complemento. Talvez esse tenha sido o grande equívoco dos socialistas (ou pelo menos da maioria) que o viram como uma cartilha a ser fielmente seguida.
Os Estados formados a partir das revoluções proletárias progressivamente se fecharam em regimes burocráticos e totalitários, que tinham como único propósito rivalizar com o mundo capitalista, muito distantes da concepção socialista de sociedade que prega a superação do capitalismo pelas próprias contradições deste. Nesse ponto, a influência exercida pelo stalinismo no movimento revolucionário internacional afastou por completo qualquer vínculo com o marxismo. O socialismo não é algo a ser imposto, mas, sim, uma aspiração comum.
Agora, a velha indagação de Lenin fica no ar: o que fazer? Bem, só a história poderá nos dar a resposta. Mas àqueles que até então resistiram às armadilhas dos acontecimentos, cabe a difícil tarefa de iniciar a reconstrução deste edifício em ruínas.
A filósofa e professora universitária, Marilena Chauí, numa entrevista à revista "Caros Amigos", declarou que o fim dos regimes do leste europeu foi, para ela, um alívio. Para nós, também!
CAETANO PROCOPIO
Em novembro de 1917 (outubro no calendário russo) nascia o primeiro estado socialista da história. Oito décadas mais tarde, o socialismo ruiu com a dissolução da União Soviética. Surgem aí algumas especulações. Marx falhou? O socialismo não passa de uma utopia? Chegamos ao final da história?
Se pensarmos o movimento revolucionário dos trabalhadores levando em conta apenas os seus resultados práticos, as respostas serão afirmativas. Mas estas conclusões seriam simplistas demais. Primeiro é preciso compreender que a experiência socialista no Século XX acabou sendo fruto de sérias distorções da obra de Marx.
A complexidade da teoria marxiana foi convertida, por grande parte de seus intérpretes, numa doutrina fechada. Ao contrário, ela deve ser vista como uma crítica da sociedade burguesa. Do modo como aconteceu, o legado de Marx acabou aprisionado por uma camisa de força que o transformou em um dogma inquestionável, principalmente quando consideramos o papel desempenhado pelas II e III internacionais. O marxismo é uma receita que necessita de complemento. Talvez esse tenha sido o grande equívoco dos socialistas (ou pelo menos da maioria) que o viram como uma cartilha a ser fielmente seguida.
Os Estados formados a partir das revoluções proletárias progressivamente se fecharam em regimes burocráticos e totalitários, que tinham como único propósito rivalizar com o mundo capitalista, muito distantes da concepção socialista de sociedade que prega a superação do capitalismo pelas próprias contradições deste. Nesse ponto, a influência exercida pelo stalinismo no movimento revolucionário internacional afastou por completo qualquer vínculo com o marxismo. O socialismo não é algo a ser imposto, mas, sim, uma aspiração comum.
Agora, a velha indagação de Lenin fica no ar: o que fazer? Bem, só a história poderá nos dar a resposta. Mas àqueles que até então resistiram às armadilhas dos acontecimentos, cabe a difícil tarefa de iniciar a reconstrução deste edifício em ruínas.
A filósofa e professora universitária, Marilena Chauí, numa entrevista à revista "Caros Amigos", declarou que o fim dos regimes do leste europeu foi, para ela, um alívio. Para nós, também!
CAETANO PROCOPIO
Assinar:
Postagens (Atom)