Alguns
dias depois, ao refletir sobre o sentido de minha apatia, percebi porque não
conseguia compartilhar daquele entusiasmo. Imaginei o quão contraditório e
paradoxal o nosso conceito de civilização. No império romano, havia lutas
mortais em suas arenas. As disputas entre gladiadores era o principal
entretenimento dos cidadãos de Roma. A origem da modernidade ocidental remonta
à antiguidade clássica (greco-romana) e a todo este passado de violências que também
lhe deu a forma. Supostamente, o progresso humano possibilitou a evolução
destes tempos cruéis. Mas será que, de fato, o mundo atual é tão diferente
daquele? Ou apenas criou-se um verniz tecnológico às coisas capaz de esconder a
ausência de valores reais?Dois milênios se passaram e de certa forma esta realidade apenas adquiriu uma maquiagem modernizante. As facilidades técnicas permitiram um maior conforto às pessoas (apesar de não usufruído igualitariamente). O mundo civilizado caminha de forma a comungar progresso e violência sem uma ascensão que pudesse libertar o espírito humano das mazelas que as lutas de classes criaram durante a história.
Na velha Roma, o combate cruel era destinado ao divertimento público. Hoje, as transmissões de UFC representam a mesma espetacularização da violência (morrer ou não em combate é um mero detalhe). O que prende atenção do expectador é uma perspectiva hedionda de se subjugar o outro, uma vez que o objetivo da luta é a aniquilação do oponente.
A civilização romana não via na violência um sinônimo da barbárie, mas sim no fato de não ser romano. Não seria este um dilema da civilização atual?
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