Total de visualizações de página
30 de out. de 2007
AMOR DE PELE E OSSO
Quando eu estiver morto
E no meu velório alguém perguntar
Por que estou sorrindo,
Saibas que é por ti.
Se a minha felicidade for questionada
Não acharão outra resposta que não seja você
Caso eu morra desfigurado
E pairar alguma dúvida sobre a minha identidade
Peça para que vejam minha pele
Lá está seu nome tatuado
Mas, se não sobrar nenhuma pele no meu corpo
Diga-lhes para olharem meus ossos.
Porque está gravado o teu nome em todos eles.
O amor é a minha busca. E a minha felicidade é você.
Se estou triste, eu te amo.
Se estou feliz, eu te amo.
Teu sorriso me faz vencer. Teu corpo é a minha oração.
O meu desejo por ti é tão fisiológico como a fome.
Porque ele nunca tem fim.
Fico ansioso pelo dia, porque te vejo.
Fico ansioso pela noite, porque sonho com você.
Sou teu filhote, és minha sorte
Meu bem querer...
VANDERSON PIRES
E no meu velório alguém perguntar
Por que estou sorrindo,
Saibas que é por ti.
Se a minha felicidade for questionada
Não acharão outra resposta que não seja você
Caso eu morra desfigurado
E pairar alguma dúvida sobre a minha identidade
Peça para que vejam minha pele
Lá está seu nome tatuado
Mas, se não sobrar nenhuma pele no meu corpo
Diga-lhes para olharem meus ossos.
Porque está gravado o teu nome em todos eles.
O amor é a minha busca. E a minha felicidade é você.
Se estou triste, eu te amo.
Se estou feliz, eu te amo.
Teu sorriso me faz vencer. Teu corpo é a minha oração.
O meu desejo por ti é tão fisiológico como a fome.
Porque ele nunca tem fim.
Fico ansioso pelo dia, porque te vejo.
Fico ansioso pela noite, porque sonho com você.
Sou teu filhote, és minha sorte
Meu bem querer...
VANDERSON PIRES
29 de out. de 2007
O LIVRO DA VIDA
No dia 26 de outubro do ano de 2007 d.C. eu pude ver mais clara a imagem do fim, ou de um outro começo, não sei...
Eram 28 anos completos.
E a cada ano que se vai, a cada hora que passa, é mais um passo para chegar a grande conclusão da vida...
Algumas pessoas se lembraram desta data. Uma data que, na verdade, só tem importância para mim, pois só eu sou capaz de entender a quantidade de páginas que possui o meu livro, a minha história, a minha vida...
E a cada página virada, umas bem compreendidas, outras um pouco confusas, eu busco as respostas de um leitor curioso e às vezes ansioso para saber qual será o final. Mas não há como ler as últimas páginas. Porque neste livro o autor ainda não sabe onde sua história vai parar. Pode ser daqui a duas páginas, duas linhas, duas palavras...
Esta é a grande graça de ler. O inesperado, o que estar por vir.
E eu tento ler a minha vida a cada ano completado. Vejo as relações que ficaram mais fortes, as que eu achei que nunca iriam enfraquecer e hoje as vejo morrendo, escapando como água por entre meus dedos.
Sinto algumas alegrias, algumas tristezas... E isso faz da minha consciência um grande acúmulo de parágrafos grifados.
Vejo as coisas que mudam e as que permanecem sempre iguais, do mesmo jeito.
Meu coração tem acumulado alguma poeira, afinal, estou falando de um livro de 1979, que pode ser velho para uns, novo para outros... Mas com uma verdade: o tempo nunca é o mesmo para cada um.
E hoje eu já tomo mais cuidado com o meu livro em relação ao passado.
Eu já o emprestei, joguei de lado algumas vezes... Pensei em vendê-lo, queimá-lo... Já parei a leitura por tédio, decepção, desinteresse...
Mas hoje essa história tem toda a minha atenção. E em casa, na minha solidão, sou capaz de rir de muita coisa. Vejo que o tempo, o grande narrador da história, me ensinou a gostar de rir. Rir de mim, dos outros... Rir, sem dúvida, faz da história algo mais leve, mais interessante.
E seja lá qual for o final, a única coisa que realmente importa é o prazer da leitura, o simples prazer de ler...
VANDERSON PIRES
Eram 28 anos completos.
E a cada ano que se vai, a cada hora que passa, é mais um passo para chegar a grande conclusão da vida...
Algumas pessoas se lembraram desta data. Uma data que, na verdade, só tem importância para mim, pois só eu sou capaz de entender a quantidade de páginas que possui o meu livro, a minha história, a minha vida...
E a cada página virada, umas bem compreendidas, outras um pouco confusas, eu busco as respostas de um leitor curioso e às vezes ansioso para saber qual será o final. Mas não há como ler as últimas páginas. Porque neste livro o autor ainda não sabe onde sua história vai parar. Pode ser daqui a duas páginas, duas linhas, duas palavras...
Esta é a grande graça de ler. O inesperado, o que estar por vir.
E eu tento ler a minha vida a cada ano completado. Vejo as relações que ficaram mais fortes, as que eu achei que nunca iriam enfraquecer e hoje as vejo morrendo, escapando como água por entre meus dedos.
Sinto algumas alegrias, algumas tristezas... E isso faz da minha consciência um grande acúmulo de parágrafos grifados.
Vejo as coisas que mudam e as que permanecem sempre iguais, do mesmo jeito.
Meu coração tem acumulado alguma poeira, afinal, estou falando de um livro de 1979, que pode ser velho para uns, novo para outros... Mas com uma verdade: o tempo nunca é o mesmo para cada um.
E hoje eu já tomo mais cuidado com o meu livro em relação ao passado.
Eu já o emprestei, joguei de lado algumas vezes... Pensei em vendê-lo, queimá-lo... Já parei a leitura por tédio, decepção, desinteresse...
Mas hoje essa história tem toda a minha atenção. E em casa, na minha solidão, sou capaz de rir de muita coisa. Vejo que o tempo, o grande narrador da história, me ensinou a gostar de rir. Rir de mim, dos outros... Rir, sem dúvida, faz da história algo mais leve, mais interessante.
E seja lá qual for o final, a única coisa que realmente importa é o prazer da leitura, o simples prazer de ler...
VANDERSON PIRES
25 de out. de 2007
A ESPERANÇA? JÁ MORREU!
Recentemente tentei realizar uma chamada num orelhão. Duas tentativas e a ligação não foi completada. Dois créditos foram subtraídos do meu cartão! Pra quem reclamar? Anatel? Procon? Justiça? Não tenho receio de afirmar que nenhuma destas instituições me geram confiança. O Brasil é um lugar onde a esperteza serve de exaltação da inteligência e a malandragem faz parte de nosso caráter. A astúcia está em toda parte, desde o grande ladrão que assola cofres públicos ao andarilho sequioso por uma “birita” mas que suplica dinheiro pra comprar um pingado.
Estou cansado de tanta dissimulação, de ter que ouvir venais petistas e pessedebistas tentando convencer a todos de que são diferentes. Ah! E o PFL que virou DEMOCRATAS! Chega! Há limites até para ser enganado. Essa gente está debochando da minha inteligência!
O Brasil sempre foi decantado como um lugar maravilhoso, de potencial inigualável. E apesar dos pesares, ainda vívido da esperança de que um dia tudo irá melhorar. Ilusão! Aqui tudo se resolve no “jeitinho”. Até o Supremo Tribunal Federal, pra dar um “jeitinho” na reforma da previdência do governo Lula, resolveu revogar o direito adquirido. No Brasil ele é apenas relativo.
O velho ditado diz que a esperança é a última que morre. Pra mim ela já está sepultada (...)
CAETANO PROCOPIO
Estou cansado de tanta dissimulação, de ter que ouvir venais petistas e pessedebistas tentando convencer a todos de que são diferentes. Ah! E o PFL que virou DEMOCRATAS! Chega! Há limites até para ser enganado. Essa gente está debochando da minha inteligência!
O Brasil sempre foi decantado como um lugar maravilhoso, de potencial inigualável. E apesar dos pesares, ainda vívido da esperança de que um dia tudo irá melhorar. Ilusão! Aqui tudo se resolve no “jeitinho”. Até o Supremo Tribunal Federal, pra dar um “jeitinho” na reforma da previdência do governo Lula, resolveu revogar o direito adquirido. No Brasil ele é apenas relativo.
O velho ditado diz que a esperança é a última que morre. Pra mim ela já está sepultada (...)
CAETANO PROCOPIO
17 de out. de 2007
HEROIS DA LIBERDADE

"Heróis da Liberdade" concorre em categoria para novos diretores da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Sátira política de Amberg estréia na sexta (19), no Arteplex 4
Segundo longa do catarinense Luca Amberg, "Heróis da Liberdade" estréia nas telonas durante a 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que agita a capital paulista a partir desta semana. É a oportunidade para o público acompanhar a saga de Chico Louco e companhia antes da produção entrar em cartaz no circuito comercial.
Selecionado para a categoria competitiva "Novos Diretores", o filme será exibido em três sessões: a primeira, no dia 19 (sexta), às 23 h, no Unibanco Arteplex 4; e, as outras, nos dias 23 (terça), às 17h, no Espaço Unibanco 3, e 30 (terça), às 20h20, na Sala Cinemateca / Petrobrás.
Inspirada no livro homônimo de Ernani Buchmann, que também assina o roteiro, a produção aposta na sátira política. A trama gira em torno da morte do prefeito tradicionalista Fernandes Cubas, o "João Come Terra", (Luthero de Almeida), que sofre um ataque no palanque durante campanha para mais uma reeleição. Suas últimas palavras ("inconstitucional é a puta que o pariu!") refletem o tom tragicômico que o diretor imprime em "Heróis", trazendo à tona a banalização de valores como ética, democracia e dignidade. Prepare-se para altas doses de ousadia, acidez e humor. "É uma sátira sob um ponto de vista antropológico. O objetivo não é apontar o dedo pra ninguém, mas motivar reflexões sobre a gira da política desde sempre", explica Amberg.
A história se desenrola sob a ótica de Chico Louco, um dos moradores da cidadezinha. Astrônomo metafísico frustrado, na voz sarcástica de Paulo César Peréio, é ele quem narra as intrigas, conspirações e barganhas envolvendo quase toda a cidade: da funcionária pública e organizadora de orgias na Câmara; passando pelo proprietário de cinema, que aceita organizar uma luta de boxe arranjada para não perder o alvará; ao bispo local, que não titubeia em revelar segredos de confessionário ao aliado político. Todos os episódios têm como pano de fundo a briga pela sucessão.
Recém-saído do forno, o filme será exibido em versão DVCAM. A produção ainda busca garantir recursos para o processo de transferência para 35mm. A expectativa é que a boa receptividade do público da Mostra possa atrair investidores. "Dirijo filmes pensando no expectador. Fiz algumas exibições fechadas e, quem viu, gostou", afirma Amberg.
O elenco é heterogêneo, formado exclusivamente por atores do teatro paranaense. Dos veteranos, o público terá a oportunidade de conferir atuações afinadas de nomes como Mario Schoenberger, Zeca Cenovic, Luthero de Almeida, Enéas Lour, Mauro Zanatta e Emilio Pitta. Destaque para as participações especiais do Grupo Armazém de Teatro, do ex-BBB Zulu, na pele do lutador Nego Mau, e de Mario Bortolotto, autor do blues tocado no Valentino Bar.
Para os fãs do underground, a trilha, da gravadora independente (GGG) Grande Garagem que Grava, traz o melhor da cena musical curitibana. Muito rock´billy, surf music, hardcore e indie de bandas como Maremotos, Gengivas Negras, Pelebrói, Mordida e Gruvox.
"Heróis" na Mostra
75min. Português. Legendas em inglês.
19/10 – Unibanco Arteplex 4 – 23h
R. Frei Caneca, 569 - 3ºpiso, sala 2
(11) 3472-2365 - www.unibancoarteplex.com.br
23/10 – Espaço Unibanco 3 – 17h
R. Augusta, 1.470/1475
(11) 3288-6780
30/10 – Sala Cinemateca / Petrobrás – 20h20
Lgo. Senador Raul Cardoso, 207
(11) 35126101 - www.cinemateca.com.br
Ficha técnica:
Heróis da Liberdade(2007, 75min, 35mm)- inspirado no livro homônimo de Ernani Buchmann
Luca Amberg (direção); Ernani Buchmann e Luca Amberg (produção); Luca Amberg, Ernani Buchmann e Moyses Doroso (roteiro).
Elenco: Mario Schoenberger, Zeca Cenovic, Luthero de Almeida, Paulo César Peréio, Enéas Lour, Emilio Pitta, Mauro Zanatta, João Luis Fiani, Carlos Daitchmann, Patrícia Selonk, Paulo Morais, Michelle Pucci, Gabriel Gorozzitto, Paulo Friebe, Chico Terra, Poka Marques, Marino Junior, Altamar César, Claudete Pereira Jorge, Fernanda Coelho, José Maria Pereira, Zulu, Macaris do Livramento, Cristine Vianna, Mário Bortolotto, Paulo Castro e Grupo Armazém de Teatro.
VANDERSON PIRES
WILSON AZUMA
13 de out. de 2007
O ULTIMO REI DA ESCÓCIA
Em “O último Rei da Escócia”, Forest Whitaker interpreta Idi Amin Dada.
Apesar da excelente atuação do ator norte-americano, a narrativa centra-se na personalidade extravagante do ditador ugandense não se atendo aos aspectos históricos que envolveram os acontecimentos.O filme acaba por mitigar o papel decisivo da Inglaterra na condução de Amin ao poder, fortalecendo a “caricaturização” do personagem.
A história termina com a queda do tirano levando “multidões jubilantes” às ruas, mas sem mencionar que a deposição possibilitou o retorno ao poder de Milton Obote, anteriormente destituído por Amin.
Se num primeiro momento a expressão nos rostos das pessoas era de júbilo, não tardaria para que os semblantes cerrassem-se novamente e Uganda outra vez mergulhasse na violência, nos assassinatos e numa nova ditadura.
Amin, longe de ser apenas um louco carniceiro, foi a perpetuação de uma trágica história africana que sempre parece se repetir.
CAETANO PROCOPIO
27 de set. de 2007
CAVALOS
I
Deitada sobre mim, ela escondia sua intenção.
Julgou ser capaz de me aprisionar, com um simples olhar sem nenhuma razão.
E eu, ligeiramente ingênuo, deixei acreditar. Que toda a voz proferida pudesse voltar
ao lugar da partida. Onde a morada nem sempre é vazia. Onde a busca quer me tomar.
Sacudi os flancos. Espirrei os farrapos e corri a olhar pela vastidão de um lindo campo. Busquei meu cavalo e me tornei um herói.
Quando cheguei naquele lugar, era como um deus. Cabelos longos, barbudo montado em um cavalo. Uma visão que os olhos não viam. Eu era a profecia assustadora e galopante.
E também quis provar que em determinado momento da cavalgada, meu cavalo voava. Ele tirava as quatro patas do chão. E ela tentou ver isso. Mas não conseguiu. Porque sua visão era limitada e lenta demais.
E eu disse: "Se um cego pudesse escolher entre a sua visão e a sabedoria dos passos lentos e precisos na escuridão, a resposta seria a cegueira".
Contudo eu não me fiz compreender. E busquei esperar o sol. Parado, respirando tranquilamente, eu fustigava seu ser. Lentamente...
Seu nome era solidão. A viúva que nunca amou.
II
Passado um tempo, logo após o nosso desencontro, eis que o mundo ficou diferente.
Já não era mais possível fingir que estava tudo bem. A depressão, a ansiedade e a angústia eram, agora, aliadas da solidão. As pessoas não deixaram de sorrir por isso. Mas era só um ato de exposição da arcada dentária, assim como os cavalos mostram seus dentes... E eu amava mais os cavalos que aquelas pessoas. E elas também nunca quiseram amar. Só queriam ganhar. Assim como os cavalos nas corridas. E o cheiro do estábulo era melhor que o aroma dos frascos de perfumes famosos. Eu não uso perfume. Como os cavalos.
Eles quiseram ser fortes como os cavalos e correr na mesma velocidade. E criaram os motores com seus cavalos industriais e mecânicos. E transformaram-no em símbolo de poder e status. E todos sonham em ter mais de mil cavalos.
E esse sonho criou guerras, matou pessoas e fez a terra jorrar o sangue negro para os vampiros. E eu apenas queria andar tranquilamente como um cavalo sem senhor, sem dono e sem patrão.
Na época dos cavalos não existia poluição. Não existiam mortes no trânsito e nem o som irritante das buzinas.
Quando os cavalos eram amigos, o homem era natural. Hoje os cavalos perderam a força. E o homem, a naturalidade...
VANDERSON PIRES
Deitada sobre mim, ela escondia sua intenção.
Julgou ser capaz de me aprisionar, com um simples olhar sem nenhuma razão.
E eu, ligeiramente ingênuo, deixei acreditar. Que toda a voz proferida pudesse voltar
ao lugar da partida. Onde a morada nem sempre é vazia. Onde a busca quer me tomar.
Sacudi os flancos. Espirrei os farrapos e corri a olhar pela vastidão de um lindo campo. Busquei meu cavalo e me tornei um herói.
Quando cheguei naquele lugar, era como um deus. Cabelos longos, barbudo montado em um cavalo. Uma visão que os olhos não viam. Eu era a profecia assustadora e galopante.
E também quis provar que em determinado momento da cavalgada, meu cavalo voava. Ele tirava as quatro patas do chão. E ela tentou ver isso. Mas não conseguiu. Porque sua visão era limitada e lenta demais.
E eu disse: "Se um cego pudesse escolher entre a sua visão e a sabedoria dos passos lentos e precisos na escuridão, a resposta seria a cegueira".
Contudo eu não me fiz compreender. E busquei esperar o sol. Parado, respirando tranquilamente, eu fustigava seu ser. Lentamente...
Seu nome era solidão. A viúva que nunca amou.
II
Passado um tempo, logo após o nosso desencontro, eis que o mundo ficou diferente.
Já não era mais possível fingir que estava tudo bem. A depressão, a ansiedade e a angústia eram, agora, aliadas da solidão. As pessoas não deixaram de sorrir por isso. Mas era só um ato de exposição da arcada dentária, assim como os cavalos mostram seus dentes... E eu amava mais os cavalos que aquelas pessoas. E elas também nunca quiseram amar. Só queriam ganhar. Assim como os cavalos nas corridas. E o cheiro do estábulo era melhor que o aroma dos frascos de perfumes famosos. Eu não uso perfume. Como os cavalos.
Eles quiseram ser fortes como os cavalos e correr na mesma velocidade. E criaram os motores com seus cavalos industriais e mecânicos. E transformaram-no em símbolo de poder e status. E todos sonham em ter mais de mil cavalos.
E esse sonho criou guerras, matou pessoas e fez a terra jorrar o sangue negro para os vampiros. E eu apenas queria andar tranquilamente como um cavalo sem senhor, sem dono e sem patrão.
Na época dos cavalos não existia poluição. Não existiam mortes no trânsito e nem o som irritante das buzinas.
Quando os cavalos eram amigos, o homem era natural. Hoje os cavalos perderam a força. E o homem, a naturalidade...
VANDERSON PIRES
18 de set. de 2007
O SOCIALISMO MORREU?
"O marxismo está muito jovem, quase na infância: mal começou a se desenvolver. Ele permanece, pois a filosofia do nosso tempo é insuperável, porque as circunstâncias que o engendram não foram superadas." (J. P. Sartre)
Em novembro de 1917 (outubro no calendário russo) nascia o primeiro estado socialista da história. Oito décadas mais tarde, o socialismo ruiu com a dissolução da União Soviética. Surgem aí algumas especulações. Marx falhou? O socialismo não passa de uma utopia? Chegamos ao final da história?
Se pensarmos o movimento revolucionário dos trabalhadores levando em conta apenas os seus resultados práticos, as respostas serão afirmativas. Mas estas conclusões seriam simplistas demais. Primeiro é preciso compreender que a experiência socialista no Século XX acabou sendo fruto de sérias distorções da obra de Marx.
A complexidade da teoria marxiana foi convertida, por grande parte de seus intérpretes, numa doutrina fechada. Ao contrário, ela deve ser vista como uma crítica da sociedade burguesa. Do modo como aconteceu, o legado de Marx acabou aprisionado por uma camisa de força que o transformou em um dogma inquestionável, principalmente quando consideramos o papel desempenhado pelas II e III internacionais. O marxismo é uma receita que necessita de complemento. Talvez esse tenha sido o grande equívoco dos socialistas (ou pelo menos da maioria) que o viram como uma cartilha a ser fielmente seguida.
Os Estados formados a partir das revoluções proletárias progressivamente se fecharam em regimes burocráticos e totalitários, que tinham como único propósito rivalizar com o mundo capitalista, muito distantes da concepção socialista de sociedade que prega a superação do capitalismo pelas próprias contradições deste. Nesse ponto, a influência exercida pelo stalinismo no movimento revolucionário internacional afastou por completo qualquer vínculo com o marxismo. O socialismo não é algo a ser imposto, mas, sim, uma aspiração comum.
Agora, a velha indagação de Lenin fica no ar: o que fazer? Bem, só a história poderá nos dar a resposta. Mas àqueles que até então resistiram às armadilhas dos acontecimentos, cabe a difícil tarefa de iniciar a reconstrução deste edifício em ruínas.
A filósofa e professora universitária, Marilena Chauí, numa entrevista à revista "Caros Amigos", declarou que o fim dos regimes do leste europeu foi, para ela, um alívio. Para nós, também!
CAETANO PROCOPIO
Em novembro de 1917 (outubro no calendário russo) nascia o primeiro estado socialista da história. Oito décadas mais tarde, o socialismo ruiu com a dissolução da União Soviética. Surgem aí algumas especulações. Marx falhou? O socialismo não passa de uma utopia? Chegamos ao final da história?
Se pensarmos o movimento revolucionário dos trabalhadores levando em conta apenas os seus resultados práticos, as respostas serão afirmativas. Mas estas conclusões seriam simplistas demais. Primeiro é preciso compreender que a experiência socialista no Século XX acabou sendo fruto de sérias distorções da obra de Marx.
A complexidade da teoria marxiana foi convertida, por grande parte de seus intérpretes, numa doutrina fechada. Ao contrário, ela deve ser vista como uma crítica da sociedade burguesa. Do modo como aconteceu, o legado de Marx acabou aprisionado por uma camisa de força que o transformou em um dogma inquestionável, principalmente quando consideramos o papel desempenhado pelas II e III internacionais. O marxismo é uma receita que necessita de complemento. Talvez esse tenha sido o grande equívoco dos socialistas (ou pelo menos da maioria) que o viram como uma cartilha a ser fielmente seguida.
Os Estados formados a partir das revoluções proletárias progressivamente se fecharam em regimes burocráticos e totalitários, que tinham como único propósito rivalizar com o mundo capitalista, muito distantes da concepção socialista de sociedade que prega a superação do capitalismo pelas próprias contradições deste. Nesse ponto, a influência exercida pelo stalinismo no movimento revolucionário internacional afastou por completo qualquer vínculo com o marxismo. O socialismo não é algo a ser imposto, mas, sim, uma aspiração comum.
Agora, a velha indagação de Lenin fica no ar: o que fazer? Bem, só a história poderá nos dar a resposta. Mas àqueles que até então resistiram às armadilhas dos acontecimentos, cabe a difícil tarefa de iniciar a reconstrução deste edifício em ruínas.
A filósofa e professora universitária, Marilena Chauí, numa entrevista à revista "Caros Amigos", declarou que o fim dos regimes do leste europeu foi, para ela, um alívio. Para nós, também!
CAETANO PROCOPIO
9 de set. de 2007
A LUTA PELO ÓCIO
Eu
quero o ócio! Mas não estou aqui pra fazer apologia da preguiça mórbida nem
mesmo tentando justificá-lo através de uma óptica hedonista da mera expetativa do
prazer. Explico melhor: o cotidiano do homem moderno é centrado nas relações de
trabalho. Trabalhamos pra obtermos meios de prover nosso conforto individual e
familiar. Mas com isso nos refugiamos e nos alienamos na vida privada e no
próprio trabalho.
Nas
últimas décadas experimentamos um fantástico desenvolvimento tecnológico. E se
de fato o progresso representasse uma força libertadora das capacidades
humanas, conforme acreditavam os filósofos iluministas, hoje teríamos um nível
de vida muito melhor e não necessitaríamos mais nos dedicar ao trabalho de
forma quase que integral. Entretanto, a realidade de mercado impossibilita a
expansão das relações de trabalho, uma vez que os custos de produção impendem
que novos postos sejam criados. Imaginem, com o pleno emprego não seria preciso
nos entregarmos ao labor tantas horas a fio. Uma nova divisão internacional das
tarefas se mostraria presente de forma que todos poderiam contribuir com menos
tempo de dedicação de cada um.
O
sociólogo alemão Robert Kurz afirma que essa nova perspectiva do trabalho
possibilitaria a auto-administração. As pessoas não mais precisariam de
administradores (políticos), uma vez que teriam tempo suficiente para realizarem
esta tarefa.
É sob
esta perpectiva que defendo o ócio: uma possibilidade de dispormos nosso tempo
mais livremente. Entretanto, enquanto existir o mundo de relações definidas
pelo mercado, isso não passará de ilusão (...)
CAETANO PROCOPIO
31 de ago. de 2007
FELINAS
As mulheres são como os gatos.
Seres independentes.
Felinas, astutas, predadoras...
Brincam, quando querem brincar.
Matam por prazer.
Porque não são carnívoras, são antropofágicas.
Sabem dormir em silêncio.
Escondem-se quando a procuramos.
Aparecem no momento de aparecer.
Lambem o pelo,
Sentem o gosto,
Beijam o rosto...
Língua áspera, rabo longo.
Seios para amamentar.
Gatas, mulheres, felinas
Nunca param de brincar.
VANDERSON PIRES
Seres independentes.
Felinas, astutas, predadoras...
Brincam, quando querem brincar.
Matam por prazer.
Porque não são carnívoras, são antropofágicas.
Sabem dormir em silêncio.
Escondem-se quando a procuramos.
Aparecem no momento de aparecer.
Lambem o pelo,
Sentem o gosto,
Beijam o rosto...
Língua áspera, rabo longo.
Seios para amamentar.
Gatas, mulheres, felinas
Nunca param de brincar.
VANDERSON PIRES
A VELHA AQUIDABAN
Não faz muito
tempo,
caminhava
pela Aquidaban.
A velha rua da
minha infância.
As pessoas
que outrora a fizeram,
abandonaram-na.
Algumas
buscando uma nova vida,
outras deixando esta em definitivo.
Hoje ela não mais parece a mesma rua.
Deste
sentimento nostálgico,
não consegui
fugir quando por ela passei.
Como se
tentasse vasculhar algo naquilo que já fui.
A rua
Aquidaban não é mais aquela da minha infância.
Lá ficou o
menino que jogava bola na rua e se escondia nas folhagens da casa da Dona
Iracema.
Apenas a
lembrança de uma vida que há muito deixou de existir.
27 de ago. de 2007
"M" DE REVOLUCIONÁRIO

Faz tempo que assistimos "O Encouraçado Potemkin" pela primeira vez. Anos. Nem nos lembramos quantos. Provavelmente foi no início da década de 1990. E desde aquela época uma coisa nos chamou a atenção. Interessados em conseguir informações sobre o brilhante diretor de um dos filmes mais importantes da história do cinema, acabamos nos deparando com uma curiosidade. Sergei M. Eisenstein era o nome dele. Mas, o que era M.? M. de quê? Pesquisamos. Procuramos em almanaques, em guias, revistas e nada. Desapontados por causa de uma futilidade, um dado menor. Em nossas buscas ficamos conhecendo um pouco mais da vida e obra de Eisenstein.
Nascido russo em 1898, morto após um ataque cardíaco 50 anos depois, realizou algumas das mais significativas obras do cinema, entre elas "O Encouraçado Potemkin" e "Outubro". Foi quem talvez melhor soube definir o conceito de revolução estética inovando a técnica cinematográfica com efeitos que até hoje são reconhecidos pelo impacto que produziram. Na seqüência do massacre nas escadarias da cidade de Odessa (O Encouraçado Potemkin) o diretor procura criar uma atmosfera de espanto no público. E consegue. O cinema "eisensteiniano" é a aplicação de uma estética inovadora à teoria revolucionária capaz de espelhar a ruptura do processo histórico.
A obra de Eisenstein não se limitou à propaganda política da revolução. Ela foi além , ao buscar uma interação da imagem com o espectador. Essa fórmula dinâmica que convida o público a participar emocionalmente da cena provocou irritação nos líderes soviéticos. O stalinismo exigia uma "arte sem alma", funcionando unicamente como uma apologia aos feitos extraordinários do regime.
Resultado: o exílio e com ele "Que Viva México" - obra inacabada relatando aspectos da história desse país. Dois outros filmes também merecem destaque: "Alexander Nevsky" e "Ivan, o Terrível". Com eles, encerrou-se a odisséia de Eisenstein.
Navegando despretenciosamente pela Internet, descobrimos talvez o que seja para nós a informação mais importante deste texto: o M. mudo, indecifrável do nome de Sergei Eisenstein é a abreviação de Mihailovich.
CAETANO PROCOPIO e MARCELO TEIXEIRA
AOS AMIGOS QUE FICAM...
Onde estará agora aquele meu amigo,
Que trocou as primeiras palavras em sala de aula
No primeiro dia de escola?
Onde estará aquela turma que se reunia para jogar futebol na rua?
E aquele outro amigo, que por ser mais velho, falava das mulheres e seus desejos?
Onde estarão todos eles, já que alguns nem mesmo a minha memória pôde guardar?
Será que em algum momento eles ainda se lembram de mim?
E se lembram, será que sentem saudade?
Como é difícil manter uma amizade verdadeira. Como é fácil esquecer e ser esquecido.
Conhecer pessoas, fazer colegas, eis uma tarefa simples.
Dizer "ah, vamos marcar algo", é uma doce mentira em que todos fingem acreditar.
Mas na hora que tudo está escuro e a vida mais parece um campo de batalha,
Quando somos feridos e em nosso jardim as flores estão secas
E descobrimos que a mulher que amamos não era uma amizade,
Porque amigos verdadeiros não traem.
E que colegas são apenas conhecidos que podem nem gostar de nós...
Onde estarão meus amigos? !
No trabalho, em casa, cuidando dos filhos, preocupados com as contas do mês?
Que em minha vida tudo tenha passe livre. Dou o direito de ir e vir aos meus amores, ao meu desejo, aos colegas, enfim. Mas aos meus poucos amigos que ficam dou apenas o direito da cumplicidade, do diálogo, das tristezas e alegrias... e nada mais.
VANDERSON PIRES
Que trocou as primeiras palavras em sala de aula
No primeiro dia de escola?
Onde estará aquela turma que se reunia para jogar futebol na rua?
E aquele outro amigo, que por ser mais velho, falava das mulheres e seus desejos?
Onde estarão todos eles, já que alguns nem mesmo a minha memória pôde guardar?
Será que em algum momento eles ainda se lembram de mim?
E se lembram, será que sentem saudade?
Como é difícil manter uma amizade verdadeira. Como é fácil esquecer e ser esquecido.
Conhecer pessoas, fazer colegas, eis uma tarefa simples.
Dizer "ah, vamos marcar algo", é uma doce mentira em que todos fingem acreditar.
Mas na hora que tudo está escuro e a vida mais parece um campo de batalha,
Quando somos feridos e em nosso jardim as flores estão secas
E descobrimos que a mulher que amamos não era uma amizade,
Porque amigos verdadeiros não traem.
E que colegas são apenas conhecidos que podem nem gostar de nós...
Onde estarão meus amigos? !
No trabalho, em casa, cuidando dos filhos, preocupados com as contas do mês?
Que em minha vida tudo tenha passe livre. Dou o direito de ir e vir aos meus amores, ao meu desejo, aos colegas, enfim. Mas aos meus poucos amigos que ficam dou apenas o direito da cumplicidade, do diálogo, das tristezas e alegrias... e nada mais.
VANDERSON PIRES
22 de ago. de 2007
SONHOS
Estava deitado, sonolento. Ouvi algo. Um ruído que vinha da minha janela. Levantei. Pés descalços, o chão estava frio. Meu coração ficou acelerado pelo movimento abrupto. Abri a janela para ver o que me incomodava. Subitamente um forte vento me arrancou como uma folha de uma árvore solta, leve e sem rumo... Tentei me agarrar a algo, mas foi inútil. Durante algum tempo, não sei ao certo quanto, fui levado... Ouvi um som estranho. Eram vozes talvez. Fiquei com medo. E elas aumentavam e iam ficando mais e mais perto de mim. Um quadro negro apareceu na minha mente, e eu apaguei...
Abri os olhos, percebi que estava embaixo de uma grande árvore. Ao meu redor apenas... nada! Meus olhos não reconheciam aquele lugar. Meus sentidos atordoados não tinham mais nenhuma razão. Era eu e o nada. Aos poucos ouvi novamente aquelas vozes que repetiam... sim, não. Elas reverberavam em todo o meu corpo. Algumas imagens começaram a me assombrar. Logo percebi que aquele lugar era o refúgio de tudo aquilo que eu não vivi. O largo de uma outra vida. Uma vida paralela, onde tudo era reproduzido ao contrário das minhas decisões. Era como se fosse uma segunda chance. Ah! Como eu chorei quando comecei a ver... Como chorei ao perceber o quanto a minha vida teria mudado, se, ao invés de eu ter ido pela direita, tivesse ido para a esquerda. Quantos sim que eram para ser não. Quantos não que eram para ser sim. Logo uma angústia inundou o meu ser. Comparei meus mundos. Novamente eu chorei.
Durante um tempo eu revi tudo que já tinha vivido. Naquele momento eu tinha sido sorteado pela natureza. Ela me deu uma oportunidade de avaliar-me. Eu tentei ser forte. Olhei as imagens, revi meus erros, vibrei com meus acertos... e vi que a vida não possui certo nem errado. Percebi que não importava o meu rumo. Porque a essência era sempre a mesma. Como se a vida fosse dividida em: coisas que podemos mudar e coisas que apenas devemos aceitar. Mas eu nunca fui resignado. Nunca me conformei com as coisas da vida. Sempre lutei pelo que amei, pelo que sonhei e acreditei. Mas nessa sessão sobrenatural pude perceber que eu era uma peça solta em um mundo movimentado e abalado constantemente. Eu já não conseguia parar de chorar. E a cada lágrima, um pouco de mim escorria pelo meu rosto. Era como se meus pensamentos já não fossem mais meus. E o sentimento que causa o choro, expelia o que eu sentia. Aos poucos fui ficando leve. Uma paz que eu nunca tinha sentido antes me trouxe ao meu mundo. E, quando nenhuma lembrança do outro mundo estava mais em minha mente, eu acordei. E já não tinha mais vontade de chorar. E voltei a dormir.
VANDERSON PIRES
Abri os olhos, percebi que estava embaixo de uma grande árvore. Ao meu redor apenas... nada! Meus olhos não reconheciam aquele lugar. Meus sentidos atordoados não tinham mais nenhuma razão. Era eu e o nada. Aos poucos ouvi novamente aquelas vozes que repetiam... sim, não. Elas reverberavam em todo o meu corpo. Algumas imagens começaram a me assombrar. Logo percebi que aquele lugar era o refúgio de tudo aquilo que eu não vivi. O largo de uma outra vida. Uma vida paralela, onde tudo era reproduzido ao contrário das minhas decisões. Era como se fosse uma segunda chance. Ah! Como eu chorei quando comecei a ver... Como chorei ao perceber o quanto a minha vida teria mudado, se, ao invés de eu ter ido pela direita, tivesse ido para a esquerda. Quantos sim que eram para ser não. Quantos não que eram para ser sim. Logo uma angústia inundou o meu ser. Comparei meus mundos. Novamente eu chorei.
Durante um tempo eu revi tudo que já tinha vivido. Naquele momento eu tinha sido sorteado pela natureza. Ela me deu uma oportunidade de avaliar-me. Eu tentei ser forte. Olhei as imagens, revi meus erros, vibrei com meus acertos... e vi que a vida não possui certo nem errado. Percebi que não importava o meu rumo. Porque a essência era sempre a mesma. Como se a vida fosse dividida em: coisas que podemos mudar e coisas que apenas devemos aceitar. Mas eu nunca fui resignado. Nunca me conformei com as coisas da vida. Sempre lutei pelo que amei, pelo que sonhei e acreditei. Mas nessa sessão sobrenatural pude perceber que eu era uma peça solta em um mundo movimentado e abalado constantemente. Eu já não conseguia parar de chorar. E a cada lágrima, um pouco de mim escorria pelo meu rosto. Era como se meus pensamentos já não fossem mais meus. E o sentimento que causa o choro, expelia o que eu sentia. Aos poucos fui ficando leve. Uma paz que eu nunca tinha sentido antes me trouxe ao meu mundo. E, quando nenhuma lembrança do outro mundo estava mais em minha mente, eu acordei. E já não tinha mais vontade de chorar. E voltei a dormir.
VANDERSON PIRES
18 de ago. de 2007
A ARTE DO ENCONTRO
O “poetinha” escreveu que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”.
Estava coberto de razão.
E de todos os encontros apenas um é certo: a morte.
Minha biografia será a do Fernando Pessoa.
Se um dia alguém for contá-la, terá apenas para si o dia do meu nascimento e o da minha morte.
Todos os demais serão meus.
Viver é fazer das escolhas uma necessidade permanente.
Por isso elas jamais serão certas ou erradas e sim essenciais.
A morte nos espera num encontro inderrogável.
Mas até que ela nos chame, temos muito o que fazer.
E é preciso.
CAETANO PROCOPIO
Estava coberto de razão.
E de todos os encontros apenas um é certo: a morte.
Minha biografia será a do Fernando Pessoa.
Se um dia alguém for contá-la, terá apenas para si o dia do meu nascimento e o da minha morte.
Todos os demais serão meus.
Viver é fazer das escolhas uma necessidade permanente.
Por isso elas jamais serão certas ou erradas e sim essenciais.
A morte nos espera num encontro inderrogável.
Mas até que ela nos chame, temos muito o que fazer.
E é preciso.
CAETANO PROCOPIO
13 de ago. de 2007
ESPELHO E OLHARES
O tempo. Ele clamou pelo tempo. Quando seus pensamentos eram pregos enferrujados, cravados em sua mente. Estava deitado e ao seu lado Ela dormia. Fitou-a com ternura, acordou-a e pediu para que segurasse a sua mão. Ela pensou em questionar seus pensamentos. Mas percebeu que de nada adiantaria perguntar-lhe algo. Apenas o observou e sorriu. De súbito deu um salto da cama e foi até o espelho. Colocou as mãos na cintura e como uma menina de cinco anos perguntou: você me acha bonita? Nesse momento seus pensamentos clarearam como um relâmpago. Seus olhos a seguiam levemente. Com calma levantou e ficou ao seu lado em frente ao espelho. "Eu posso ver a tua alma", disse Ele. E continuou a olhá-la. E ela é bonita? Mais uma vez o silêncio e a observação pairavam sem julgamentos. Ele a tocou no rosto. Escorregou seus dedos levemente até seus seios. Percebeu que sua pele arrepiou-se. "Você é capaz de me ver além da imagem no espelho?", disse Ele.
Ela, sem hesitar, respondeu que sim. Instintivamente suas mãos entrelaçaram-se. Naquele momento pouco importavam as respostas. Voltaram para a cama, sem pressa. Um olhar em frente ao outro. Como um espelho refletindo sua própria imagem. O tempo não tinha mais importância. Apenas o cheiro, o toque, o beijo, os lábios úmidos, o calor dos corpos...o encaixe natural. O cansaço e a leveza da alma. O desejo renovado. Era uma noite de domingo...
VANDERSON PIRES
Ela, sem hesitar, respondeu que sim. Instintivamente suas mãos entrelaçaram-se. Naquele momento pouco importavam as respostas. Voltaram para a cama, sem pressa. Um olhar em frente ao outro. Como um espelho refletindo sua própria imagem. O tempo não tinha mais importância. Apenas o cheiro, o toque, o beijo, os lábios úmidos, o calor dos corpos...o encaixe natural. O cansaço e a leveza da alma. O desejo renovado. Era uma noite de domingo...
VANDERSON PIRES
31 de jul. de 2007
FRIO DAS CALÇADAS
O inverno é a estação do conforto.
Blusas, luvas, cachecóis...a moda.
Dizem que as pessoas ficam mais bonitas.
E vento frio, as vezes úmido, seco...
Carrega o tilintar dos dentes que batem.
Mas são poucos os que podem ouvir.
E a fome aumenta, conforme diminui a temperatura.
Nas calçadas os esquimós urbanos
Não fazem fotossíntese.
Eles tentam esquecer que são gente.
Oh! Cam, segundo filho de Noé
Tu que reinaste na Babilônia e em Ninive
Conclama a teu pai um novo dilúvio.
Para afogar a dor e o sofrimento
Além de todos os julgamentos Divino.
Porque eles são desprovidos da beleza da moda.
E quem os olham não consegue sentir a harmonia do belo,
A mesma harmonia das vitrines das lojas.
Mas eles esperam, mesmo sem saber,
Que a semente de uma promessa cumprida,
Sem apressar o bem e o mal,
Floresça naturalmente com o calor do sol.
E a noite fria nunca tem fim...
VANDERSON PIRES
Blusas, luvas, cachecóis...a moda.
Dizem que as pessoas ficam mais bonitas.
E vento frio, as vezes úmido, seco...
Carrega o tilintar dos dentes que batem.
Mas são poucos os que podem ouvir.
E a fome aumenta, conforme diminui a temperatura.
Nas calçadas os esquimós urbanos
Não fazem fotossíntese.
Eles tentam esquecer que são gente.
Oh! Cam, segundo filho de Noé
Tu que reinaste na Babilônia e em Ninive
Conclama a teu pai um novo dilúvio.
Para afogar a dor e o sofrimento
Além de todos os julgamentos Divino.
Porque eles são desprovidos da beleza da moda.
E quem os olham não consegue sentir a harmonia do belo,
A mesma harmonia das vitrines das lojas.
Mas eles esperam, mesmo sem saber,
Que a semente de uma promessa cumprida,
Sem apressar o bem e o mal,
Floresça naturalmente com o calor do sol.
E a noite fria nunca tem fim...
VANDERSON PIRES
24 de jul. de 2007
DESPEDIDA
Estou amarrado enquanto te vejo partir
E você caminha muito lentamente...
Fecho meus olhos, na esperança de não te ver mais
Mesmo assim você caminha lentamente.
Quem segura a tua mão?
Será a certeza de um julgamento?
Se o meu erro foi tão cruel, mate-me!
A superação é uma virtude para poucos.
Mas a transformação e para menos ainda.
Vai! Atravesse logo e desapareça no horizonte.
Já aprendi a viver fora do útero.
Também já senti a dor da morte.
O apego é o desassossego da alma.
Meu ego foi transpassado pelo teu punhal.
Sinto-me julgado pelos romanos.
E a minha coroa de espinhos é o teu adeus...
Ainda posso ver a tua imagem.
Mas já estou desatando as amarras.
Queres que eu te deseja felicidade?
Pois bem, mas primeiro terás que morrer.
Mesmo que isso signifique matar-me.
Porque carrego-te dentro de mim.
Ah! Maldito ego. Tu jogas para todos os lados.
Primeiro você impede o perdão.
Depois assombra o pecado,
E afunda os barcos que navegam em águas calmas.
Agora vejo minhas mãos livres.
Meus pés também estão soltos.
Penso em correr até te alcançar...
Mas, existe como correr da chuva?
Mesmo com a rainha perdida
Eu ainda sou o rei do meu castelo.
E devo proteger meu reino
Escolha o teu caminho e segue-o.
Porque ainda tenho meus peões para atravessar o tabuleiro.
E eu respiro lentamente
Seguindo na direção oposta.
Penso no mundo que é grande
E na vida que é passageira.
Neste momento nasceu uma flor nas minhas costas.
E, apesar da tristeza e do choro...eu sorri.
VANDERSON PIRES
E você caminha muito lentamente...
Fecho meus olhos, na esperança de não te ver mais
Mesmo assim você caminha lentamente.
Quem segura a tua mão?
Será a certeza de um julgamento?
Se o meu erro foi tão cruel, mate-me!
A superação é uma virtude para poucos.
Mas a transformação e para menos ainda.
Vai! Atravesse logo e desapareça no horizonte.
Já aprendi a viver fora do útero.
Também já senti a dor da morte.
O apego é o desassossego da alma.
Meu ego foi transpassado pelo teu punhal.
Sinto-me julgado pelos romanos.
E a minha coroa de espinhos é o teu adeus...
Ainda posso ver a tua imagem.
Mas já estou desatando as amarras.
Queres que eu te deseja felicidade?
Pois bem, mas primeiro terás que morrer.
Mesmo que isso signifique matar-me.
Porque carrego-te dentro de mim.
Ah! Maldito ego. Tu jogas para todos os lados.
Primeiro você impede o perdão.
Depois assombra o pecado,
E afunda os barcos que navegam em águas calmas.
Agora vejo minhas mãos livres.
Meus pés também estão soltos.
Penso em correr até te alcançar...
Mas, existe como correr da chuva?
Mesmo com a rainha perdida
Eu ainda sou o rei do meu castelo.
E devo proteger meu reino
Escolha o teu caminho e segue-o.
Porque ainda tenho meus peões para atravessar o tabuleiro.
E eu respiro lentamente
Seguindo na direção oposta.
Penso no mundo que é grande
E na vida que é passageira.
Neste momento nasceu uma flor nas minhas costas.
E, apesar da tristeza e do choro...eu sorri.
VANDERSON PIRES
13 de jul. de 2007
UMA CONTESTAÇÃO MITIGADA
Em meados dos anos 50 a crença dos positivistas de que a ciência seria capaz de promover o progresso da humanidade já não convencia muita gente. A crise mundial de 1929 e as duas grandes guerras criaram mazelas profundas e provocaram sérias desconfianças nos valores da chamada civilização cristã ocidental (capitaneada pela pujança econômica norte americana), até então, incólumes de maiores questionamentos pelo senso comum.
A juventude americana do pós guerra, insatisfeita com os rigores da tradição puritana, buscava definir-se em novos padrões de comportamento. Inspirado nessa inquietação incipiente, surge o "rock'n roll". A rápida secularização dos costumes liberalizou as formas de expressão o que contribuiu decisivamente para a eclosão dos movimentos estudantis no final da década de 60.
A divisão do mundo em dois blocos antagônicos depois de 1945, abriu um período conturbado nas relações internacionais. A guerra-fria desencadeou um clima de insegurança e medo entre os povos. Ela expôs as contradições e os sinais de evidente esgotamento do "American way of life". O sentimento de insatisfação ensejou reações de repúdio ao arrivismo vitorioso alardeado pela classe média. Inicialmente comportamentais, porém, o acirramento das tensões acabou por transpô-las para o domínio da política. E o rock tornou-se uma espécie de porta voz dessas mudanças. A jovialidade e a alienação de suas primeiras composições rapidamente transformaram-se no ritmo agressivo de guitarras distorcidas e letras em carregado tom de protesto (a guerra do Vietnã foi um catalisador dessa transformação). Queria-se cuspir na hipócrita indumentária com que se vestia a sociedade ocidental.
A contracultura denunciou a decadência moral da burguesia. Entretanto não conseguiu ir muito além disso. O discurso furtou-se de conteúdo. A contestação asfixiou a si mesma por não se afirmar como uma alternativa concreta, definitiva. Os paladinos do sexo, drogas e "rock'n roll" (ideologicamente identificados pela prédica do faça amor não faça a guerra) quando não consumidos pelo desespero, tornaram-se algozes dos próprios ideais. Acomodaram-se nos dividendos que a cultura "underground" proporcionou. Não resistiram aos deleites do mercado (nem desejavam!): suntuosas ofertas de uma vida de luxúria, sucesso e fortuna.
Dos velhos festivais sobraram apenas os rótulos, uma vez que não há mais o que contestar. O mundo exorcizou seus fantasmas para que pudéssemos entrar, incondicionalmente, na era da unanimidade consumista.
Se é verdade que a contracultura soou muito mais como uma vertente da sociedade de consumo, aquele sopro de rebeldia marcou-nos com uma força criativa paradoxal, presa a um tênue limiar de três acordes que se já acomodou algum talento, hoje não passa de mera banalidade.
O rock é fruto dessa contradição, uma marca registrada do nosso tempo.
CAETANO PROCOPIO (4/7/99)
A juventude americana do pós guerra, insatisfeita com os rigores da tradição puritana, buscava definir-se em novos padrões de comportamento. Inspirado nessa inquietação incipiente, surge o "rock'n roll". A rápida secularização dos costumes liberalizou as formas de expressão o que contribuiu decisivamente para a eclosão dos movimentos estudantis no final da década de 60.A divisão do mundo em dois blocos antagônicos depois de 1945, abriu um período conturbado nas relações internacionais. A guerra-fria desencadeou um clima de insegurança e medo entre os povos. Ela expôs as contradições e os sinais de evidente esgotamento do "American way of life". O sentimento de insatisfação ensejou reações de repúdio ao arrivismo vitorioso alardeado pela classe média. Inicialmente comportamentais, porém, o acirramento das tensões acabou por transpô-las para o domínio da política. E o rock tornou-se uma espécie de porta voz dessas mudanças. A jovialidade e a alienação de suas primeiras composições rapidamente transformaram-se no ritmo agressivo de guitarras distorcidas e letras em carregado tom de protesto (a guerra do Vietnã foi um catalisador dessa transformação). Queria-se cuspir na hipócrita indumentária com que se vestia a sociedade ocidental.
A contracultura denunciou a decadência moral da burguesia. Entretanto não conseguiu ir muito além disso. O discurso furtou-se de conteúdo. A contestação asfixiou a si mesma por não se afirmar como uma alternativa concreta, definitiva. Os paladinos do sexo, drogas e "rock'n roll" (ideologicamente identificados pela prédica do faça amor não faça a guerra) quando não consumidos pelo desespero, tornaram-se algozes dos próprios ideais. Acomodaram-se nos dividendos que a cultura "underground" proporcionou. Não resistiram aos deleites do mercado (nem desejavam!): suntuosas ofertas de uma vida de luxúria, sucesso e fortuna.
Dos velhos festivais sobraram apenas os rótulos, uma vez que não há mais o que contestar. O mundo exorcizou seus fantasmas para que pudéssemos entrar, incondicionalmente, na era da unanimidade consumista.
Se é verdade que a contracultura soou muito mais como uma vertente da sociedade de consumo, aquele sopro de rebeldia marcou-nos com uma força criativa paradoxal, presa a um tênue limiar de três acordes que se já acomodou algum talento, hoje não passa de mera banalidade.
O rock é fruto dessa contradição, uma marca registrada do nosso tempo.
CAETANO PROCOPIO (4/7/99)
5 de jul. de 2007
OS MUROS DA VERGONHA
Em 1989 caiu o muro de Berlim.
No “ocidente” também era conhecido como “muro da vergonha”.
E de fato, era uma vergonha.
Transformou-se num símbolo do totalitarismo.
Escondia a podridão de um regime decadente e carcomido.
Não existia socialismo do lado de lá, pois, do contrário, não haveria necessidade do muro.
Mas ele caiu (...)
E do lado de cá, o “mundo livre” também resolveu erguer seus muros da vergonha.
Em Israel, para isolar a faixa de Gaza e a Cisjordânia.
Na fronteira dos Estados Unidos com o México pra impedir que “cucarachas” invadam o território norte-americano.
O “mundo livre” nunca passou de um mero anúncio do mercado.
Só que agora também possui muros para se envergonhar.
CAETANO PROCOPIO
26 de jun. de 2007
PRATA E OURO
Morte, morte...
Se és sorte, ponha-me no laço
Onde minha força virará cansaço
E meus sonhos de naufrágio
Um refúgio para meus olhos cegos.
Conte-me uma história
Onde eu tenha sido um herdeiro.
Para que quando eu te encontrar
Não tenha contas a pagar.
Finjas que me queres
Assim como eu te desejo.
Nunca a imaginei com foice
E nem vestida de preto.
Acabe com meu sofrimento de existir
E não me obrigue a ser covarde para os olhos de quem ri.
A vida e as palavras são de prata.
A morte e o silêncio são de ouro.
VANDERSON PIRES
Se és sorte, ponha-me no laço
Onde minha força virará cansaço
E meus sonhos de naufrágio
Um refúgio para meus olhos cegos.
Conte-me uma história
Onde eu tenha sido um herdeiro.
Para que quando eu te encontrar
Não tenha contas a pagar.
Finjas que me queres
Assim como eu te desejo.
Nunca a imaginei com foice
E nem vestida de preto.
Acabe com meu sofrimento de existir
E não me obrigue a ser covarde para os olhos de quem ri.
A vida e as palavras são de prata.
A morte e o silêncio são de ouro.
VANDERSON PIRES
Assinar:
Postagens (Atom)