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14 de set de 2015

A GLOBALIZAÇÃO E O VIÉS DO PENSAMENTO ÚNICO

O mundo moderno, com a explosão tecnológica experimentada a partir do século XX, parecia algo promissor e maravilhoso. Porém, milhões de miseráveis ainda agonizam mundo afora vítimas da incapacidade integradora do mercado.

Como fenômeno inevitável, a globalização instala o domínio político das grandes corporações empresariais em todo o planeta. Os interesses das empresas globalizadas, cada vez mais imbricados na ação dos Estados nacionais, mutilam os governos de capacidade autônoma transformando-os em meros instrumentos dos negócios das megaempresas globais. Ao mesmo tempo esse processo se faz à custa de uma enorme exclusão de parcelas significativas da população mundial, sem qualquer instrumento capaz de lhes assegurar direitos e acesso à cidadania. 

Mas para qualquer “phd” em economia de Harvard,  a justificativa poderia ser a de que cada um possui a sua parcela de contribuição para que esse processo abrace o mundo e possibilite o desfrute das benesses da integração dos mercados. É o preço do progresso! Apenas alguns ajustes nas engrenagens do sistema e pronto, tudo estará resolvido. Mas sob esse discurso se perpetua toda uma lógica excludente e cruel. O mais lamentável é que, no fundo, parece que as tragédias se tornam coisas banais aos olhos como se fossem objetos integrados de uma paisagem, mas ao mesmo tempo, alheias do universo da racionalidade.
                                                  
Fala-se muito na necessidade de limitar a globalização. Mas será possível que só a contenção dos mercados subverterá todas as injustiças do planeta? A verdade é que se pensar numa solução parcial para o mundo é o mesmo que se valer de um paliativo médico. A volúpia pelo lucro é o objetivo primordial e sua busca sempre subverterá os mecanismos reguladores supostamente criados para limitar a tendência à concentração da riqueza.

A aparente conformidade e consenso não são reais. Mesmo com os vigorosos instrumentos de alienação produzidos pela moderna tecnologia capitalista, surgem vozes do dissenso que se arregimentam e se organizam, isto, é claro, à custa de uma caracterização perversa por parte dos meios que difundem a informação para a opinião pública. Quando segmentos organizados da sociedade (por exemplo, os trabalhadores sem terra) ocupam as ruas, estão bradando contra a degradação social de um país historicamente dividido pelas desigualdades e pelo autoritarismo.

Diferentemente da satanização que a grande mídia normalmente tenta difundir àqueles que não seguem a maré definida pelo pensamento oficial, muitas vezes o contraponto representa o real compromisso com a cidadania e com a solidariedade, apesar de antipático aos olhos das classes médias que só conseguem visualizar os seus privilégios, acomodados na solução de normalidade do mundo instantâneo dos negócios em que tudo se resume à relação custo-benefício.
                                                                                                 
A resistência cria a dúvida no conceito do pensamento único que a globalização tenta impor. É oposição a esta concepção hegemônica e autoritária. Um imprescindível questionamento à unanimidade totalitária do “mercado livre” hoje tão enaltecida pelo senso comum.

CAETANO PROCOPIO

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